O debate sobre segurança pública ganhou tom mais duro nesta segunda-feira (31), quando o candidato ao Senado Rui Costa (PT) defendeu mudanças na legislação penal e criticou o que considera um excesso de interferência judicial em decisões relacionadas à custódia de presos de alta periculosidade. Durante entrevista ao programa Toda Hora, da Rádio Salvador FM, o ex-governador da Bahia afirmou que a sensação de impunidade contribui diretamente para o avanço da criminalidade e apoiou a PEC da Segurança Pública enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso.
Entrevistado pelo jornalista Márcio Martins, ao lado de Luana Campos e Luana Neiva, Rui Costa resumiu sua crítica ao atual modelo de segurança pública com uma frase que, segundo ele, já se tornou popular entre os brasileiros.
“O povo já batizou com a frase: a polícia prende e a Justiça solta. A impunidade é a irmã gêmea da criminalidade. Todo lugar do mundo onde a sensação de impunidade é grande, a criminalidade cresce”, afirmou.
Para o petista, o problema não estaria apenas na atuação das forças policiais, mas também em regras que dificultariam a manutenção de criminosos considerados perigosos longe de suas áreas de influência. Rui defendeu uma revisão das normas como parte das mudanças previstas na PEC da Segurança Pública.
Rui relata episódio ocorrido na Bahia
Durante a entrevista, o candidato recuperou um episódio de sua passagem pelo governo da Bahia para sustentar o argumento de que decisões judiciais podem, em determinadas situações, comprometer estratégias de combate ao crime organizado.
Segundo Rui, uma mulher apontada como integrante de uma organização criminosa em Vitória da Conquista continuava, mesmo presa, dando ordens relacionadas a crimes violentos. Diante da situação, a Secretaria da Segurança Pública teria decidido transferi-la para o presídio de segurança máxima de Serrinha.
De acordo com o relato do ex-governador, semanas depois uma decisão judicial determinou o retorno da detenta para a unidade de origem, sob o argumento relacionado à preservação do convívio familiar.
Rui afirmou que o episódio teve consequências imediatas após o retorno da presa e questionou quem deveria ser responsabilizado por eventuais novos crimes cometidos a partir da unidade prisional.
“Ela chegou no presídio de volta às 11 horas da manhã. Às 11 horas da noite, o secretário me ligou: já tivemos seis mortes ordenadas por ela. Aí a culpa é do governador?”, questionou.