O presidente de honra do MDB na Bahia, Lúcio Vieira Lima, reagiu com dureza às declarações do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), envolvendo a polêmica sobre a liberação do habite-se de um residencial do programa Minha Casa Minha Vida, que seria entregue na semana passada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) na avenida 29 de Março, na Fazenda Grande IV.
Em contato com o Classe Política nesta quarta-feira (8), Lúcio apontou contradições no discurso do prefeito e cobrou coerência sobre a liberação do empreendimento.
“O prefeito Bruno Reis tem que se decidir. Ontem ele disse que tinha liberado as casas e que não foram entregues porque, de forma grosseira, afirmou que o presidente Lula passou o dia bebendo uísque. Agora, diz que não libera obra com pendência. Então, precisa dizer: liberou ou não liberou?”, questionou.
Segundo o emedebista, há duas possibilidades — ambas problemáticas. “Se ele liberou com pendência, descumpriu a lei. Se não havia pendência, então mentiu ao justificar que a obra não foi inaugurada por conta do comportamento do presidente”, afirmou.
Lúcio Vieira Lima elevou o tom ao acusar o prefeito de adotar discursos distintos conforme a conveniência política. “O que não dá é ter uma fala em um momento e outra completamente diferente depois. Isso é enganar o povo. Isso sim é mexer com a esperança das pessoas”, disparou.
A crítica ocorre após declaração de Bruno Reis, dada em evento na terça-feira (7), de anúncio de apoio do Novo a pré-candidatura de ACM Neto (UB) ao governo do estado. O prefeito afirmou que o empreendimento, atrás do Alphaville II, não foi inaugurado porque o presidente Lula teria preferido “passar o dia bebendo uísque em Salvador”. Já nesta quinta-feira (8), o gestor municipal afirmou que não autoriza entregas de obras com pendências legais.
Para Lúcio, o caminho deveria ser outro: articulação institucional. “A política boa é sentar, governo federal, estadual e municipal, como adultos, identificar as pendências e resolver. Se estiver tudo certo, inaugura. O povo quer receber sua casa, independente de quem esteja no palanque”, defendeu.
O dirigente do MDB reforçou que o foco precisa ser a população beneficiada pelo programa habitacional. “O objetivo é entregar as casas ao povo. Não é disputa de narrativa. É garantir dignidade para quem mais precisa”, concluiu.