A pressão política contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou ao centro do debate público após o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) divulgar, nesta sexta-feira (1º), um levantamento não oficial sobre a disposição dos senadores em relação a um eventual pedido de impeachment do magistrado. A publicação foi feita em seu perfil na plataforma X (antigo Twitter) e reacendeu as tensões entre parte da base bolsonarista e o Supremo.
Segundo dados do site “votossenadores.com.br”, que alimenta seu conteúdo com base em declarações públicas, bastidores e alinhamento ideológico dos parlamentares, 34 senadores seriam favoráveis ao afastamento de Moraes, enquanto 19 se posicionam contra e outros 28 estariam indefinidos.
O placar, no entanto, não tem caráter oficial e pode conter inconsistências. Um dos casos apontados é o do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), listado entre os favoráveis, mas atualmente licenciado. Seu suplente, Pedro Chaves (MDB-GO), assumiu o mandato em julho e ainda não teve sua posição pública registrada, sendo classificado como indefinido por outros veículos, como o Poder360.
Apesar da movimentação, o destino de qualquer pedido de impeachment contra ministros do STF depende exclusivamente do presidente do Senado, que decide se dá ou não andamento ao processo. Caso avance, a destituição só ocorre com o apoio de dois terços da Casa — 54 dos 81 senadores.
A publicação de Nikolas ocorre no contexto da recente sanção do governo dos Estados Unidos contra Moraes, acusando o ministro de supostas violações de direitos civis — medida criticada pelo governo brasileiro. A pressão sobre o Judiciário, no entanto, vem sendo usada por setores da oposição como estratégia política.