O professor Mozart Ramos, titular da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira da USP de Ribeirão Preto (SP), participou nesta terça-feira (9) do encerramento do ciclo itinerante do Movimento Bahia pela Educação, no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), em Salvador. Em entrevista à imprensa, o especialista classificou a alfabetização de crianças até os sete anos como a pedra angular de toda a trajetória escolar e destacou que o avanço educacional no estado depende do fortalecimento do regime de colaboração entre os entes federativos e a sociedade civil, conforme preconiza o artigo 205 da Constituição Federal.
O palestrante celebrou o engajamento de professores e gestores municipais durante a itinerância pelos polos regionais baianos e pontuou que o sucesso do programa está diretamente ligado à capacidade de promover um crescimento homogêneo e equitativo em todo o território.
"A alfabetização das crianças na idade certa é a pedra angular da educação. Se a gente não alfabetizar nossas crianças até os sete anos, as chances de sucesso escolar caem assustadoramente ao longo do processo, o que amplia muito a evasão escolar. A educação você não faz isoladamente. O município, o Estado e a União, cada um fazendo sua parte de maneira colaborativa. Um movimento como esse ajuda a fortalecer o regime de colaboração entre a União, o Estado e os municípios baianos. Isso vai ser muito importante para avançarmos com equidade, porque não adiantaria melhorar em um conjunto de 10, 20, 30, 40 municípios e outros tantos continuarem estagnados num patamar muito baixo no índice de alfabetização", avaliou Mozart Ramos.
Blindagem institucional no período eleitoral e foco na formação
Ao projetar o calendário de ações para as próximas etapas do movimento, o professor destacou que as atividades técnicas de qualificação pedagógica serão preservadas e executadas em ambientes neutros, como as instalações do SESI, para evitar interferências ou contaminações de cunho político e partidário durante o recesso e a campanha eleitoral.
"O segundo semestre a gente vai ter um momento delicado, que são as eleições, então o clima é outro, precisamos reconhecer isso. Mas durante esse período nós vamos fazer formação de alfabetizadores e de diretores escolares, porque a gente pode fazer aqui mesmo, na Federação das Indústrias, ou numa escola do SESI, num ambiente em que não haja contaminação política, para dar isenção, como tem sido até aqui, o Movimento Bahia pela Educação", explicou.
Premiação meritocrática e o aprendizado mútuo entre redes
O titular da cátedra da USP comentou os indicadores oficiais consolidados em 2026, referentes ao desempenho escolar avaliado no ciclo de 2025, ressaltando o protagonismo da Bahia como a unidade federativa que registrou a maior evolução no cenário nacional. Ramos chamou a atenção para a disparidade que por vezes ocorre entre municípios vizinhos e ressaltou que a eficiência dos resultados não está atrelada à riqueza econômica local, mas sim ao acerto das estratégias pedagógicas adotadas.
O especialista concluiu detalhando a metodologia de reconhecimento público e premiação que será outorgada às administrações municipais com taxas de letramento superiores a 75%, utilizando o evento como um indutor de boas práticas e cooperação horizontal entre as cidades.
"A Bahia foi o estado que mais avançou no Brasil e é impressionante o número de municípios que evoluíram. Às vezes, você tem dois municípios que estão muito próximos, praticamente colados, um com resultados impressionantes e positivos e o outro com resultado muito aquém do que poderia estar, às vezes até com PIB per capita maior. Quer dizer, não é uma questão de riqueza, mas de estratégia da política educacional. Quando a gente premia, estamos dando uma diretriz. Por isso o slogan principal do movimento é 'a Bahia pode aprender com a Bahia'. Devemos ter a humildade de aprender um com o outro para que, promovendo essa aprendizagem mútua, a gente ajude a tornar o processo mais rápido, e quem sai ganhando com isso é a criança baiana", finalizou Mozart Ramos.