Uma troca de mensagens obtida por investigadores e enviada à CPI mista do INSS trouxe à tona a menção a um encontro entre o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O registro, feito em maio de 2024, integra o conjunto de documentos analisados pela comissão parlamentar, encerrada no último dia 28.
O conteúdo foi armazenado em nuvem pela Apple após ter sido trocado via WhatsApp entre Vorcaro e o empresário Fábio Faria. Na mensagem, datada de 22 de maio de 2024, Vorcaro afirma: “Mas está tudo certo. Estou indo para Brasília. Amanhã acho que assina Augusto. ACM foi lá em casa”, ao que Faria responde: “Bom demais”.
Além das mensagens, dados do Coaf indicam que, entre março de 2023 e maio de 2024, a empresa A&M Consultoria Ltda, ligada a ACM Neto e à sua esposa, recebeu cerca de R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag. A gestora é alvo de investigação por suspeitas de conexão com organizações criminosas, e o órgão aponta que a movimentação financeira da empresa superou a capacidade declarada.
Em nota, ACM Neto afirmou que os valores recebidos correspondem à prestação de serviços de consultoria voltados à análise do cenário político-econômico nacional. O ex-prefeito negou qualquer irregularidade e disse que, à época dos contratos, não havia informações que comprometessem a reputação das instituições envolvidas.
A data da conversa coincide com o período em que Augusto Lima afirma ter deixado a sociedade no Banco Master. Segundo ele, o desligamento ocorreu em maio de 2024. Posteriormente, ao ser preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro, Augusto declarou que já estava afastado das funções executivas quando ocorreram as operações investigadas.
As apurações também alcançam associações de servidores da Bahia, apontadas como origem de carteiras de crédito consignado que teriam sido posteriormente transferidas ao Banco de Brasília. Essas entidades informaram à Receita Federal do Brasil dados de contato vinculados ao grupo empresarial de Augusto Lima.
O material reunido pela CPI contribui para ampliar o conjunto de informações sob análise de órgãos de controle e investigação, que buscam esclarecer a relação entre empresas, instituições financeiras e agentes públicos no caso.