O PT constitui um patrimônio histórico da classe trabalhadora brasileira, forjado nas lutas e organizações sociais e no exercício de governos e mandatos parlamentares. Essa experiência democrática, singular dos trabalhadores brasileiros, que culminou na eleição do primeiro operário e da primeira mulher presidentes de uma república pós- colonial, indigena-latino-afro-americana, se sustenta ao longo desses 44 anos porque nossa trajetória é impulsionada por uma síntese de lutas sociais, pluralidade de matrizes ideológicas e experiências vitoriosas fundamentais que vem contribuindo com esquerda no Brasil contemporâneo.
Há 44 anos defendemos um socialismo autêntico, pautado pela liberdade. Construímos uma legenda que confia ao povo sua capacidade organizativa. Único partido a eleger suas lideranças por voto direto, com paridade de gênero, representação negra proporcional e 20% de jovens. Nosso programa político realiza Políticas públicas que visam promover a autonomia e soberania nacional, priorizam a garantia e promoção de direitos, o acesso e permanência à estabilidade social, justiça tributária, ampliação da qualidade de vida e de sociedade.
É desse lugar que rompemos o século XXI, anunciando a falência do projeto neoliberal, a ascensão do pensamento conservador, a transformação do perfil político e eleitoral e a retomada de governos autoritários mundo afora, e aqui, marcado pela brutalidade e o exacerbado discurso de ódio, pela precarização do trabalho e da vida. Almejamos um Brasil que reconheça na agricultura familiar e na cultura popular fonte de vida, com desenvolvimento industrial e agrícola sustentáveis, em transição energética, com reconhecimento de seus povos, territórios e diversas identidades – autônomo, inclusivo, democrático, soberano e próspero.
O impacto dos governos do Presidente Lula, que redesenhou o Brasil com uma boa dose de lentes de Milton Santos e Abdias do Nascimento, o orçamento público e o pensamento nacional, olhando para as necessidades gritantes de nossa sociedade promoveram políticas públicas para matar a fome do povo, fortalecer o sistema público de saúde e educação, promover ações de reparação racial e de gênero, com políticas e programas de inclusão e promoção social que se mostraram uma estratégia possível e eficaz para superar a miséria e construir um país soberano. 500 anos depois da invasão, ousamos dizer e fazer um Brasil que se nega a ser colônia.
Ser militante do PT baiano, diante desse horizonte e de nossa história e legado, nos enche de orgulho e propósito. Nestas quatro décadas, o PT da Bahia, como um "capitão da areia", percorreu as "veias abertas" dessa parte da América Latina, construindo caminhos de busca por justiça, desenvolvimento inclusivo e democrático. Somos herdeiros diretos da descolonização necessária. Pelo mesmo chão que Tupinambas e outros parentes abriram caminho com negros que ergueram os quilombos e cidades por onde passaram, Conselheiro, Prestes, Lamarca e Marighella, do interior à capital – tal como a infantaria do 2 de Julho Felipa e Quitéria, o PT baiano ganhou força por sua capilaridade e sua caminhada junto ao povo. Forjado também na resistência do polo petroquímico e na dimensão da fábrica, na academia, cresceu promovendo políticas transformadoras e rompendo tradições hereditárias e fomentando uma nova era para milhões de baianos.
Na Bahia, Jaques Wagner (2007) iniciou ampla mobilização popular para debater políticas e orçamento, estabelecendo o primeiro PPA participativo. Em 18 anos, implementamos ações inovadoras, novas rotas econômicas e o maior ciclo de inclusão racial e socioeconômica do estado, com orçamento territorializado e fortalecimento institucional das prefeituras. Nossa grandeza revelou-se no momento mais crítico: a pandemia sob Bolsonaro, desastrosa especialmente para o Nordeste, com cortes de verbas e desmonte do SUS e SUAS. O governo Rui Costa respondeu criando o Consórcio Nordeste e investindo pesado em saúde e educação, resistindo ao desmonte federal. Em meio à polarização e devastação das contas, derrotamos um adversário que se julgava "princípe herdeiro", elegendo Jerônimo Rodrigues, símbolo decolonial. Seu governo, apoiado em bases sólidas, enfrenta os novos desafios desse século: plataformização do trabalho, PJotização da mão de obra e impactos das guerras globais num mundo multipolar. Garantir o piso docente, ampliar concursos, fortalecer a agricultura familiar, atrair investimentos (China, BRICS) demonstra nossa capacidade operacional. A Bahia é o principal expoente de nossa eficácia em políticas públicas e o PT baiano sempre foi peça-chave no tabuleiro político estadual e nacional, gerindo uma frente ampla há quase duas décadas.
Também no início deste século, ao instituir eleições diretas proporcionais para a direção, sinalizamos para sociedade brasileira que construiremos um grande partido, democrático, com regras nítidas e públicas e processos abertos para as composições de nossa direção e de nosso programa. Anunciamos um partido de massas, com formação de quadros e ampla participação. Congressos, reformas estatutárias e muito debate garantiram paridade, cotas para pessoas negras e a juventude na direção, anunciando que queremos renovação democrática e permanente. O PT sempre esteve em constante movimento.
Construir um novo Brasil exige a capacidade de constituir uma hegemonia política que promova autonomia nacional, a promoção de direitos e da qualidade de vida. Organizar o país e lutar pela sobrevivência da classe trabalhadora neste novo ciclo capitalista demanda esforço coletivo, onde renovar o PT é tarefa crucial.
Há 7 anos, no último congresso, elegemos o primeiro dirigente da terceira geração de militantes do PT (a segunda geração não chegou à direção), um legítimo fruto de nossas políticas internas. Comprometemo-nos a retomar o crescimento do PT, manter o protagonismo do partido na chapa majoritária, renovar processos e práticas partidárias, retomar debates estratégicos territoriais e promover nova geração de agentes políticos e políticas para fortalecer o partido, movimentos e governos. O PT mudou e vai mudar mais. A sociedade exige isso de nós.
O PT baiano é um partido em constante mobilização. O campo "Construindo um Novo Brasil e uma Nova Bahia" consolidou-se ao longo desses 18 anos, como força dirigente desse espectro que vem ampliando a capacidade do PT em promover uma hegemonia política. Adaptamo-nos ao tempo, implementando mudanças estruturais vitais nessa rodada frente à direção do partido, entre elas mudamos de sede, voltamos a uma casa, onde há lugar para reuniões e debates, onde a porta da frente se encontra com a rua e fizemos festa. Reposicionamos a comunicação, enfrentando a guerra de narrativas produzidas digitalmente; estabelecemos novo planejamento financeiro, quitando dívidas e promovendo transparência nos fundos partidários pela primeira vez em quatro décadas, nenhuma conta rejeitada, saldo maior que dívida. Atualizamos coletivamente nosso programa, mesmo durante a pandemia.
Vale lembrar que isso tudo não se deu sob céu de brigadeiro e alta popularidade. Em nosso céu pairaram o pós golpe da presidente Dilma, a prisão do presidente Lula, a eleição de Bolsonaro e com um desenho eleitoral novo: a Federação Brasil Esperança. Apesar disso, ampliamos as prefeituras e vereadores e vereadoras eleitos, e diretórios municipais constituídos (de 240 para 380). Isso é resultado da expansão dos espaços de debate: seminários, encontros territoriais (presenciais/virtuais), reuniões da CEE e do Diretório, podcasts e programas de TV. Renovamos o partido reivindicando nossa grandeza histórica e escancaramos os meios de comunicação com o partido. O PT está vivo, pulsante e vitorioso!
Mudamos sim. Mudamos como muda a classe trabalhadora e o capitalismo. E crescemos, vislumbrando uma primavera partidária.
Para seguir Construindo um Novo Brasil, o PT deve ser instrumento concreto dos trabalhadores, ecoando sua pluralidade e compromissos. Devemos ser portadores da esperança nas novas economias portadoras de futuro. Precisamos de uma composição democrática e engajada, traduzindo nossos valores para este mundo em construção. Renovar o PT é essencial para seguir edificando militância e programa para a construção de uma sociedade mais justa, humana, democrática e pacífica.
O PT baiano deve continuar inovando na organização partidária, ampliando a base eleitoral, garantindo maioria para Lula e a reeleição de Jerônimo, e elaborando tática eleitoral que reflita nossa dimensão política. Temos capacidade para chapas completas e habilidade para formar amplas coalizões. Promover o debate é algo positivo. Fortalecer o PT nas dinâmicas eleitorais é imperativo. As chapas legislativas fazem parte da estratégia de fortalecimento para o próximo pleito. Ampliaremos nossa capacidade política eleitoral. Para este novo momento, uma grande coalizão fará Mais PT. É hora de superar narrativas individualistas e fortalecer construções coletivas. O PT é para todos, fruto de seu tempo e história. Uma nova primavera se aproxima, e estaremos juntos, lutando pelas boas causas. Que as contradições venham pelo programa e fortaleçam nossas lutas.
Assim, nesta semana que vamos às urnas eleger nossa nova direção eu quero saudar e agradecer o nosso ousado Presidente Éden Valadares, e em seu nome toda a companheirada dessa gestão, pela partilha dos dias de lutas e dias de glória. Quando muitos já anunciavam na imprensa apoio a tentativas mambembes de encerrar nossa experiência de governo, estivemos lá para reconduzir nosso caminho para a vitória. Quando muitos reivindicaram para si a única saída, provamos que a pluralidade nos fez forte, quando muitos anunciaram que as estratégias das individualidades parlamentares valiam mais, nós fizemos bancada e unidade. Agradeço também a confiança do Senador Jaques Wagner, do Ministro Rui Costa e do Governador Jerônimo Rodrigues e da maioria de nossas bancadas parlamentares que caminharam conosco a todo tempo. Às vezes não foi como vocês queriam, mas era como o PT precisava.
Tenho muito orgulho do que fizemos e mais ainda do que virá.Tenho muita convicção de que temos uma boa trupe para construir essa nova gestão que se avizinha. É também uma honra ver avançar a unidade popular no PT. Tenho ainda mais convicção de que não erraremos elegendo Tassio Brito Presidente do PT da Bahia.
Viva o processo de eleições diretas do PT e nossa democracia interna
Viva o Partido das Trabalhadoras e dos Trabalhadores
PT Saudações!
Luciana Mandelli é Membro da Executiva e Diretório Estadual