O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), reagiu às acusações de perseguição política feitas pelo ex-prefeito ACM Neto (União) nesta terça-feira (10). A polêmica envolve a exoneração do tenente-coronel André Luís Teodósio Presa, que ocupava um cargo de coordenação na Polícia Militar e foi filmado declarando apoio a Neto durante o Carnaval de Salvador. Jerônimo enfatizou que o oficial não perdeu sua estabilidade como servidor, mas apenas deixou uma função de confiança, o que classificou como um procedimento administrativo comum.
"Não houve exoneração da função do concurso dele. Isso não houve", esclareceu o governador, separando o cargo efetivo do cargo em comissão. "O que houve é que ele estava com um cargo, e esse cargo a secretaria, como sempre faz, vocês podem ver que quase que diariamente tem mudança dessas pessoas. É uma coisa de rotina dentro da PM fazer essas mudanças", argumentou Jerônimo, ressaltando que, como servidor público de carreira, entende a dinâmica das nomeações e substituições na estrutura do Estado.
O caso ganhou repercussão após um vídeo viralizar nas redes sociais, mostrando o militar, sem farda, gritando palavras de incentivo a ACM Neto durante a passagem de um trio elétrico. Para a oposição, a saída do tenente-coronel da chefia do Departamento de Educação Física da PM, publicada no Diário Oficial apenas duas semanas após o episódio, configura retaliação. ACM Neto chegou a afirmar que o governador "prefere perseguir policiais a enfrentar o crime organizado".
Jerônimo, no entanto, manteve a linha de que as movimentações na Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) seguem critérios técnicos e de conveniência administrativa. O governador evitou polemizar diretamente com o adversário político, focando na legalidade do ato e na preservação do vínculo concursado do oficial. "Quem tem concurso público tem concurso público. Eu sou servidor e sei disso", concluiu.