Uma declaração do vereador Helgênio Meira (PSD) durante sessão na Câmara Municipal de Maracás, no Vale do Jiquiriçá, desencadeou uma onda de indignação entre moradores e defensores da causa animal. O parlamentar sugeriu abertamente que cães abandonados e recolhidos pelo poder público sejam submetidos à eutanásia caso não sejam adotados em um prazo de 30 dias.
Ao defender sua proposta para o controle de animais de rua, o vereador não economizou em termos diretos ao explicar o procedimento que imagina para o Centro de Controle de Zoonoses. “Não buscou? Eutanásia. Eutanásia é o quê? Mata o cachorro. É normal em toda cidade grande”, disparou o parlamentar, gerando imediata repercussão negativa nas redes sociais.
Pela proposta mencionada pelo vereador, os animais seriam capturados e mantidos sob responsabilidade da prefeitura por um mês. Se após esse período, não houvesse o resgate por tutores ou o interesse de novos adotantes, o sacrifício seria autorizado. Helgênio Meira ainda mencionou que a medida poderia ser acompanhada por um sistema de identificação por chip para tentar regularizar a situação dos proprietários.
A fala do parlamentar reacendeu o debate sobre os limites éticos e legais do controle populacional de animais no interior da Bahia. Especialistas em direito animal e saúde pública ressaltam que a eutanásia é um procedimento técnico rigoroso, permitido por lei apenas em situações específicas de doenças graves, infectocontagiosas incuráveis ou sofrimento irreversível, nunca como método de controle de natalidade ou solução para o abandono.
O caso em Maracás deve ampliar a pressão sobre a Câmara Municipal por políticas públicas que priorizem a castração em massa, campanhas de conscientização e o incentivo à adoção responsável, em vez de medidas extremas de extermínio. Até o momento, o vereador mantém o posicionamento, enquanto grupos de proteção animal planejam manifestações para cobrar uma retratação e a discussão de projetos alternativos para a gestão da fauna urbana.