O ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, oficializou nesta quarta-feira (22) seu retorno ao PSDB, em um evento que reuniu figuras de diferentes alas da oposição ao PT no estado. A cerimônia, realizada em Fortaleza, contou com a presença de lideranças do PL, entre elas André Fernandes, Alcides Fernandes, Bella Carmelo e Carmelo Neto, todos representantes da corrente bolsonarista cearense.
O ato político marca um novo capítulo no xadrez eleitoral do Ceará, que já se movimenta de olho em 2026. A reaproximação de Ciro com o PSDB e a composição com setores bolsonaristas sinalizam uma aliança inédita no campo oposicionista, unindo históricos rivais em torno de um objetivo comum: enfrentar o PT e o governador Elmano de Freitas na disputa pelo Palácio da Abolição.
Da saída do PDT ao retorno tucano
Ciro deixou o PDT na semana passada, após uma década na legenda, em razão de divergências com a cúpula nacional e local sobre o apoio à reeleição de Elmano. O rompimento encerra uma fase de distanciamento entre o ex-ministro e o partido que o lançou à Presidência em 2018 e 2022.
Com o retorno ao PSDB — sigla à qual já havia sido filiado nos anos 1990 —, Ciro busca reconstruir uma base política sólida e assumir novamente o protagonismo da oposição no Ceará. A filiação teve o aval do ex-senador Tasso Jereissati, um dos principais nomes da história tucana no estado e antigo aliado do ex-governador.
Sétima troca partidária e novo redesenho político
A volta ao PSDB marca a sétima mudança partidária de Ciro em sua trajetória. Ele já passou por PDS, PMDB, PSDB, PPS, PSB, Pros e PDT, antes de retornar agora ao ninho tucano.
Apesar de viver um dos períodos mais frágeis de sua história — sem governadores desde 2025, quando Eduardo Riedel (MS) migrou para o PP —, o PSDB tenta se reposicionar como alternativa de centro-direita em estados estratégicos, e o Ceará aparece como vitrine dessa nova tentativa.
A movimentação ocorre meses após as eleições municipais de 2024, quando Ciro e André Fernandes atuaram juntos na disputa pela Prefeitura de Fortaleza, apoiando a candidatura derrotada do deputado do PL contra Evandro Leitão (PT).
O reencontro agora amplia a especulação sobre uma chapa conjunta para 2026, unindo tucanos e bolsonaristas sob a mesma bandeira anti-PT.
“O Ceará precisa de um novo projeto, com responsabilidade fiscal, eficiência e coragem para romper com o atraso”, afirmou Ciro durante o evento, em discurso que soou como prévia de campanha.