Filiada ao PL há apenas quatro meses, Cinthya Marabá, candidata a deputada estadual, recebeu R$ 300 mil do fundo eleitoral, segundo consulta realizada nesta sexta-feira (28) ao DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O valor é o mesmo destinado a Samuel Júnior, deputado estadual em exercício que obteve 98.914 votos em 2022 e foi o quinto mais votado para a Assembleia Legislativa naquele pleito.
Cinthya também recebeu mais que Cézar Leite, vereador de Salvador, que registra R$ 200 mil. Já Thiago Martins, presidente do diretório municipal do PL em Ilhéus e candidato ao mesmo cargo, recebeu R$ 40 mil — 7,5 vezes menos que o valor destinado à recém-filiada. O repasse de R$ 40 mil a Martins consta em levantamento publicado nesta quinta-feira (27) com base nos dados eleitorais.
O contraste chega à própria região de Cinthya. Rogério Faedo, candidato do PL a deputado federal e com atuação em Luís Eduardo Magalhães, ainda não registrava repasse de fundo eleitoral na consulta desta sexta-feira (28) ao TSE.
Cinthya entrou no PL em 8 de abril, em Brasília, em encontro com Flávio Bolsonaro, Valdemar Costa Neto e João Roma. Ela estava acompanhada do marido, Júnior Marabá (PP), prefeito de Luís Eduardo Magalhães.
Meses antes, Júnior Marabá havia se aproximado do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Em junho de 2025, o prefeito confirmou publicamente sua migração para a base de Jerônimo e disse que não faria campanha de oposição ao governador.
Ao comentar a relação com os dois ex-presidentes, Marabá fez críticas à recepção da equipe de Jair Bolsonaro durante uma visita a Luís Eduardo Magalhães e comparou o episódio com a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva ao município.
“Recebi Bolsonaro quando era presidente. A equipe dele muito mal educada, ele também muito mal educado e por diversas vezes fui empurrado pela equipe dele e pelos seguranças. Foram bem hostis conosco. Nós recebemos ele em um município que tem um viés conservador.
No ano seguinte nós recebemos Lula, com uma identidade totalmente diferente. Para você ter uma ideia, Bolsonaro nem mesmo olhou no meu olhar quando desceu da aeronave. Quando fui receber Lula, ele me cumprimentou, olhou nos meus olhos, fui muito bem tratado por toda a equipe. Acho que a educação sempre se cabe”, pontuou o gestor.
De dois votos a R$ 300 mil
A eleição de 2026 é apenas a segunda disputa eleitoral de Cinthya. Em 2016, ainda como Cinthya Nunes, ela concorreu a vereadora de Luís Eduardo Magalhães pelo DEM e recebeu dois votos.
Dez anos depois, disputa uma cadeira na Assembleia Legislativa pelo PL com R$ 300 mil de fundo eleitoral, o mesmo montante registrado para Samuel Júnior, parlamentar com mandato e quase 100 mil votos na eleição anterior.
Das produções sofisticadas ao visual de campanha
As próprias redes sociais de Cinthya também mostram uma diferença entre as produções anteriores e as aparições mais recentes.
Em publicações anteriores à campanha, ela aparece com frequência usando botas, couro e acessórios de marcas conhecidas. Em uma das fotografias, Cinthya usa um cinto preto com fivela em “V” visualmente compatível com o VLogo Signature, da Valentino Garavani, grife italiana de luxo.
O modelo VLogo Signature de 20 mm custa atualmente € 390 no site oficial da Valentino. A peça é produzida em couro de bezerro e traz a fivela característica da linha. No varejo voltado ao mercado brasileiro, modelos VLogo aparecem com preços regulares acima de R$ 3,5 mil. A comparação com a peça usada por Cinthya é visual e não permite confirmar sua autenticidade apenas pela fotografia.
Outro registro mostra a candidata usando uma bota da UZA Shoes, marca mencionada na própria publicação. O modelo correspondente no site da fabricante, em couro preto, custa atualmente R$ 669.
Nas postagens ligadas à atual campanha, o figurino aparece mais casual, com camisetas, jeans e tênis, acompanhado de caminhadas, visitas a feiras e outras agendas de rua. O contraste com as produções anteriores pode ser observado no próprio histórico público das redes sociais da candidata.