O vereador e pré-candidato a deputado federal, Pastor Abrão (PL), em entrevista concedida à imprensa nesta terça-feira (9), discorreu sobre a legitimidade da atuação de lideranças religiosas nos espaços de poder e o impacto da bancada cristã nas decisões legislativas e administrativas do país. O parlamentar argumentou que os evangélicos, na condição de cidadãos e contribuintes, possuem o direito constitucional de buscar representatividade política para a defesa de suas convicções morais e para a desburocratização das atividades institucionais das igrejas.
O pré-candidato ressaltou que a presença de representantes do segmento no Congresso Nacional e nas assembleias estaduais não visa à imposição de dogmas, mas sim à garantia de que os valores de uma parcela expressiva da população sejam considerados no debate democrático.
"Os evangélicos também são cidadãos, então não estão fora desse conceito. Como cidadão, o evangélico tem direitos e deveres. Dentro dos direitos que tem, está o de poder ser candidato, de votar, e no dever de colaborar para o bem-estar social. Os evangélicos representam uma fatia que tem interesses. Nada mais justo do que se apresentar para defender esses interesses. Os evangélicos têm padrões morais pautados nas Escrituras e entendemos que isso faz bem para a sociedade. Ninguém é obrigado a seguir o que nós cremos, mas nós também não somos desobrigados a apresentar o que nós cremos. Quando a gente vai disputar uma eleição para a Câmara Federal, para a Assembleia Legislativa ou para a Câmara Municipal, é para defender nossos interesses e nossos valores morais", justificou o vereador.
Demandas do terceiro setor e desburocratização administrativa
Além da pauta de costumes e valores, Pastor Abrão chamou a atenção para o aspecto jurídico e administrativo das organizações religiosas, que atuam frequentemente como entidades do terceiro setor. Ele pontuou que as igrejas mantêm creches, escolas, centros de recuperação e outras iniciativas que demandam constante interlocução com os órgãos de fiscalização do Estado, necessitando de uma representação política que entenda essas especificidades operacionais.
O parlamentar concluiu defendendo a simplificação dos processos de licenciamento e regularização de imóveis institucionais, apontando que a redução dos entraves burocráticos beneficia tanto o poder público quanto as entidades que prestam assistência direta às comunidades.
"Somado a isso, nós também temos instituições de personalidade jurídica no ramo privado que possuem demandas, e essas demandas têm que ser atendidas dentro do cenário público. Nós pedimos alvará, pedimos licença ambiental, construímos templos e mantemos escolas. Tudo isso demanda participação no processo público. Quando nós temos representantes, também apresentamos aquilo que queremos, como o combate à burocratização. Quanto menos burocracia houver, melhor será para o trabalho que desenvolvemos junto à sociedade", finalizou Pastor Abrão.