Gilmar Mendes é “inimigo” do combate à corrupção, diz Moro

Ex-juiz da Lava Jato critica ministro por desmantelar operação; decisões da Corte derrubaram condenações como a de Lula

O ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro (União Brasil) criticou a atuação do STF (Supremo Tribunal Federal) no combate à corrupção. Moro disse que alguns ministros “são autodeclarados inimigos” da causa e citou Gilmar Mendes.

“Eu acho que pelas posições dele [Gilmar Mendes]: anula tudo, não condena ninguém e ainda é extremamente ofensivo nas decisões dele ao pessoal da Lava Jato, inventa lá umas histórias que não tem nada a ver. Eu só vejo isso, não vejo ele condenar ninguém”, disse o ex-juiz em entrevista ao canal Talk Churras, no YouTube, na quarta-feira,10.

Gilmar Mendes tem sido um dos maiores críticos da Operação Lava Jato na Corte. Decisões do ministro, como a suspeição de Moro no processo que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foram fundamentais para algumas das principais derrotas sofridas pela operação.

Outros assuntos da entrevista:

SHOWMÍCIO: “Eu acho errado ter um showmício pago com dinheiro público e com a presença do Lula pedindo voto, fazendo pré-campanha. Aí não dá! Com qualquer outro teria caído o céu em cima. Ao meu ver, isso aí é violação da Lei Eleitoral, sim.”

Moro se referiu ao pagamento do cachê de Daniela Mercury, de R$ 100 mil, com emenda parlamentar. No show, cantora pediu votos a Lula. Diante de questionamentos, ela abriu mão do dinheiro.

PARTIDOS POLÍTICOS: “Eu acho que a gente precisava fortalecer os partidos políticos no Brasil porque eles carecem de um pouco mais de identidade, de bandeira ideológica muito clara. E hoje, essa preocupação muito grande com recurso, fundo partidário, acaba um pouco obscurecendo. Ao invés de você ter gente envolvida num programa específico, num projeto específico, o pessoal está mais envolvido em ser eleito e reeleito.”

SAÍDA DO PODEMOS: “Eu não estava vendo ali no Podemos a chance de conseguir ajudar a romper essa polarização, porque o Podemos está ficando isolado. E dentro do Podemos também a gente estava com alguns probleminhas. Então, eu preferi fazer esse movimento e tentar construir no União Brasil uma alternativa política.”

DESISTÊNCIA DE CONCORRER À PRESIDÊNCIA: “Na verdade, esse movimento não foi para desistir. Foi para construir de uma forma diferente e em outro local. Vamos ver quais são as possibilidades que a gente consegue construir ali dentro do União Brasil. (…) O pré-candidato é o Luciano Bivar e a gente apoia evidentemente a pré-candidatura dele e vamos ver como é que a gente consegue construir isso.”

Em março, Moro decidiu sair do Podemos, onde era pré-candidato à presidência da República, para ir para o União Brasil, que lançou Luciano Bivar para concorrer ao posto. O ex-juiz ainda não tem pré-candidatura confirmada para outro cargo.

3ª VIA: “Ninguém abriu mão de nada. Ninguém quer ser vice de ninguém, ninguém quer ficar em 2º lugar e nenhum partido conseguiu fazer aliança.”

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