Setor de serviços avança 1,1% e evita queda mais brusca do PIB no terceiro trimestre

Atividade responsável por 70% da economia foi impulsionada pela flexibilização das medidas de restrição; inflação alta e variante Ômicron da Covid-19 trazem riscos para os próximos meses

O setor de serviços, que corresponde a 70% da formação do Produto Interno Bruto (PIB), registrou alta de 1,1% no terceiro trimestre em comparação com os três meses imediatamente anteriores e segurou a queda mais brusca de 0,1%. O segmento foi o único das três variantes calculadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com resultado positivo. A produção industrial, que soma 20% da soma do PIB, ficou estagnada em 0% pela manutenção de entraves que atingem a atividade desde o ano passado, principalmente a falta de insumos e os gargalos nas cadeias produtivas. Influenciada pelo encerramento da safra de soja, que também acabou impactando as exportações, a agropecuária tombou 8% no período. O avanço da prestação de serviços ocorreu em meio à flexibilização das medidas de isolamento social com o avanço da imunização brasileira contra o novo coronavírus. O desempenho positivo foi puxado pela alta de 4,4% do segmento de outras atividades, que engloba justamente os serviços prestados às famílias, como bares e restaurantes. “Com o avanço da vacinação contra Covid-19 e o consequente aumento da mobilidade e reabertura da economia, as famílias passaram a consumir menos bens e mais serviços”, afirma Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

Das cinco categorias do serviço, quatro tiveram desempenho positivo. Além de outras atividades, também cresceram informação e comunicação (2,4%), transporte, armazenagem e correio (1,2%), administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,8%). As atividades imobiliárias (0,0%) ficaram estáveis e apenas as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (-0,5%) e comércio (-0,4%) registraram variações negativas. “A queda nos serviços financeiros se deve em parte a um aumento nos sinistros de planos de saúde. Já o comércio, que foi um dos setores mais afetados pela pandemia, teve uma forte alta no segundo trimestre, com a reabertura e, portanto, a base de comparação estava alta e as famílias também migraram parte do seu consumo para os serviços”, explica Palis.

Apesar do resultado positivo, a alta de 1,1% dos serviços no terceiro trimestre foi vista como frustrante em meio à expectativa de aumento maior em face à forte demanda reprimida pelas restrições sanitárias. “O resultado mostra haver um caminho que ainda pode ser recuperado pelo setor. Dado a dinâmica da pandemia, a alta poderia ter sido mais intensa”, afirma. Dados da pesquisa mensal do IBGE sobre a prestação de serviços mostram a constante desaceleração do setor desde maio, culminando com a retração de 0,6% em setembro. A perda de fôlego ocorre simultaneamente ao crescimento contínuo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação doméstica, impactando na corrosão do poder de compra dos brasileiros. Além do dinheiro rendendo menos, Marcela cita as inseguranças sobre o futuro como razões para um desenvolvimento mais apático da prestação de serviços. “Não se sabe como será o ano que vem, e isso também atrapalha. Esses fatores mostram que não é apenas a pandemia que estava impactando no setor”.

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