Cientista afirma que Brasil deve entrar em lockdown para frear colapso

A adoção de um lockdown nacional por 21 dias pode ser a única estratégia capaz de frear o colapso nos sistema funerário e de saúde do país. É a medida recomendada pelo médico, neurocientista e professor catedrático da Universidade de Duke (EUA) Miguel Nicolelis, diante do agravamento da pandemia.

Ontem (25), o Brasil registrou o pior número de mortos em 24 horas durante a pandemia. Foram 1.582 óbitos registrados em apenas um dia e 1.150 mortes na média móvel.

“Estou vendo a grande chance de um colapso nacional. Não é que todo canto vá colapsar, mas boa parte das capitais pode colapsar ao mesmo tempo, nunca estivemos perto disso”, avaliou Nicolelis, que deixou a coordenação do Comitê Científico do Nordeste na semana passada.

Para Nicolelis, a implementação de um lockdown em escala nacional precisa de apoio da população. “Nessa altura, essas medidas de restrição de horário não têm efeito, porque o grau de espalhamento é tão enorme que se compensa durante o dia, quando as pessoas vão aos restaurantes, shoppings, pegam transporte lotado, não funciona”.

O alto índice de contaminações no Sudeste, com a previsão de esgotamento de leitos de UTI em São Paulo nas próximas semanas, surpreendeu o cientista. Apesar da falta de infraestrutura e do número reduzido de médicos em comparação à média nacional, o Nordeste registrou o menor índice de óbitos – 100 mil nos primeiros 11 meses de pandemia.

“Diferentemente da primeira onda, quando foi cada estado num tempo, surgiram efeitos sincronizadores como eleição, festas de fim de ano, carnaval. Agora, tudo está explodindo ao mesmo tempo”, analisou Nicolelis em entrevista ao Grupo Globo.

“Isso significa que não tem medicação, não tem como intubar, não vai dar para transferir de uma cidade para outra, não vai ter como transferir para lugar nenhum”, acrescentou.

A lentidão na campanha de imunização contra a Covid-19 é outro fator que contribui para agravar a situação da pandemia no Brasil, país até então reconhecido internacionalmente nessa área.

“Ninguém esperava que o Brasil fosse ter uma performance tão baixa. Poderíamos estar vacinando 10 milhões, mais do que qualquer país. É como uma tragédia grega, mas é brasileira, que alguém vai contar um dia. Porque ela é épica, como a derrota dos troianos”.

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