Bolsa de Nova York reage à fala de Bolsonaro e ações da Petrobras caem

Depois do quarto ajuste do ano no preço do combustível, Bolsonaro ameaçou o presidente da estatal

A Bolsa de Nova York registrou, nesta sexta-feira (19/2), uma queda de mais de 3% nas ações da Petrobras, no pré-mercado, como reação à fala do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na live dessa quinta-feira (18/2), de que “alguma coisa” poderia ocorrer na estatal nos próximos dias.

Por volta das 8h, horário de Brasília, as ações da Petrobras operavam em queda de 3,88%, a US$ 10,40 (R$ 56,26).

Na live, Bolsonaro anunciou que a partir de 1º de março não haverá qualquer imposto federal incidindo sobre o preço do óleo diesel.

Em relação ao quarto reajuste do ano feito pela Petrobras, o chefe do Executivo considerou como “fora da curva” e “excessivo”. Ele reforçou que não pode interferir na estatal, mas ressaltou que “vai ter consequência”.

O presidente sugeriu ainda, sem entrar em detalhes, que “alguma coisa” ocorrerá na Petrobras nos próximos dias. “Eu não posso interferir nem iria interferir [na Petrobras]. Se bem que alguma coisa vai acontecer na Petrobras nos próximos dias, tem que mudar alguma coisa, vai acontecer”, disse.

Para o economista Ciro de Almeida, da GWX Investimentos, a forte queda tem relação com outros fatores, além da irritação apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro contra a Petrobras.

“A irritação do presidente Bolsonaro é comum. Mas, na verdade, tem a ver também com a possível interferência dele em mudar a presidência da Petrobras. Por mais que tenha que seguir os preços da paridade internacional, houve muitas altas neste ano”, avalia o especialista.

“Como a Petrobras atualiza a paridade em um curto prazo, isso traz mais volatilidade para o preço do combustível. Se houvesse medidas de contraponto para amortecer essas quedas e que a empresa pensasse nessa paridade em longo prazo, poderia diminuir a volatilidade e fazer com que esses reajustes não fossem tão curtos”, prossegue.

A Petrobras anunciou, nessa quinta-feira (18/2), o quarto reajuste deste ano no preço da gasolina vendida às refinarias. Na prática, é o oitavo aumento seguido nos preços da gasolina.

A partir desta sexta-feira (19/2), os preços médios subirão para R$ 2,48 (gasolina) e R$ 2,58 (diesel), após aplicação de reajustes de R$ 0,23 e de R$0,34 por litro, respectivamente.

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