Após pressão, Butantan diz que eficácia global da Coronavac é de 50,4%

Inicialmente, instituto apresentou dados de eficácia fatiados, de 78% em casos leves e 100% em casos graves

Após pressão de cientistas e jornalistas, o Instituto Butantan divulgou nesta terça-feira (12/1) que a eficácia global da Coronavac é de 50,4%. Na semana passada, o órgão, ligado ao governo de São Paulo, havia anunciado — após quatro adiantamentos — que a eficácia da vacina contra a Covid-19 é de 78% para casos leves e de 100% para os graves.

Embora o percentual seja menor do que o anunciado inicialmente, ele está acima do índice de 50%, exigido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Nenhuma outra companhia que está desenvolvendo vacina apresentou dados de forma detalhada antes da autorização do uso emergencial. E nós estamos aqui fazendo isso”, disse nesta terça o presidente do instituto, Dimas Covas.

Ele argumentou que a Coronavac foi posta aos mais diversos desafios, testada entre profissionais de saúde, com alta carga viral circulando. “Nenhuma das outras vacinas foi feita em população com incidência acima de 20%, nas demais em incidências normais até 5%. Nenhuma foi desafiada da maneira como essa vacina foi”, acresentou.

Desde que apresentou os dados fatiados de eficácia, o Butantan vem sofrendo críticas da Anvisa e de especialistas para divulgar o estudo completo e a comparação com outros países. A Turquia já havia anunciado que a eficácia no país ficou em 91% e nesta segunda-feira (11/1) a Indonésia informou que ficou em 65,3%.

Um dos entraves para a divulgação do dado completo era a chinesa Sinovac que é detentora do estudo. De acordo com o governo de São Paulo, cabe a ela juntar os dados de todos os países e fazer a média. Por ser responsável por unir os dados, será a Sinovac que vai pedir o registro definitivo da vacina no país. O pedido para uso emergencial foi feito pelo Butantan.

Dimas Covas reclamou que a vacina foi “duramente criticada” por ser desenvolvida em associação com a China. “Como se isso fosse um pecado, sendo que isso é uma virtude. Se não tivesse acontecido, não estaríamos com milhões de doses prontas na prateleira”, afirmou.

Eficácia
Para o coordenador-executivo do Centro de Contingência Covid-19 de São Paulo, João Gabbardo, em vez de discutir a eficácia do composto seria mais significativo discutir “o que importa”. Ele afirma que “se nós conseguirmos vacinar as pessoas acima de 60 anos nessa primeira fase, estaremos trabalhando diretamente em 77% dos óbitos em São Paulo”.

“Não se justifica que a gente fique fazendo algumas discussões que não são relevantes para esse momento quando a gente pode imediatamente atacar o que é mais importante e mais significativo que é essa pressão sobre o sistema de saúde, a utilização dos leitos de UTI, são os casos graves e as pessoas que infelizmente vão vir a óbito por conta da pandemia”, disse.

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