Depois da bronca, o afago: Bolsonaro elogia Guedes por medidas na pandemia

Nessa terça, o presidente disse que daria um “cartão vermelho” a quem propusesse congelar aposentadorias ou reduzir benefícios

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) elogiou nesta quarta-feira (16/9) o ministro da Economia, Paulo Guedes, e sua equipe ministerial pelas medidas adotadas durante a pandemia do coronavírus.

“Quero cumprimentar a equipe econômica desse ministro, Paulo Guedes, que tomou uma série de medidas para conter os problemas [em decorrência da pandemia] no Brasil. Parabéns, Paulo guedes, parabéns à nossa equipe de ministros”, disse, durante cerimônia de posse do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

A declaração de Bolsonaro ocorre um dia após Bolsonaro dizer que estava “proibido” se falar em Renda Brasil no seu governo -o que viria a ser um substituto do Bolsa Família.

A reação do presidente se deu após alguns jornais noticiarem que a equipe econômica estudava propor a suspensão do reajuste dos benefícios previdenciários pela inflação por dois anos.

“E a última coisa, para encerrar: até 2022, no meu governo, está proibido falar a palavra Renda Brasil. Vamos continuar com o Bolsa Família e ponto final”, afirmou Bolsonaro.

“Congelar aposentadorias, cortar auxílio para idosos e pobres com deficiência, um devaneio de alguém que está desconectado com a realidade”, completou.

Bolsonaro também disse que daria um “cartão vermelho” a quem, de dentro do governo, lhe apresentar propostas de congelar aposentadorias ou reduzir benefícios.

“Quem porventura vier propor para mim uma medida como essa, eu só posso dar um cartão vermelho para essa pessoa. É gente que não tem o mínimo de coração, o mínimo de entendimento [sobre] como vivem os aposentados no Brasil”, ressaltou Bolsonaro.

Criação de outro programa social
Após a declaração dessa terça (15/9), no entanto, segundo o relator do Orçamento da União para 2021, senador Márcio Bittar (MDB-AC), Bolsonaro deu aval ao parlamentar para a criação de um outro programa social.

Bittar se reuniu com o presidente na manhã desta quarta, no Palácio do Planalto, e conversou com a imprensa sobre a pauta do encontro. Segundo o parlamentar, Bolsonaro “deu sinal verde” para a criação da proposta.

“Tomei café da manhã com o presidente da República. Agora, antes do almoço conversamos mais um pouco e eu fui solicitar ao presidente se ele me autorizava a colocar dentro do Orçamento a criação de um programa social que possa atender milhões de brasileiros que foram identificados ao longo da pandemia e que estavam fora de qualquer programa assistencial. O presidente me autorizou”, disse Bittar.

De acordo com o relator, o próximo passo é articular a proposta com líderes do governo no Senado e na Câmara dos Deputados, além de elaborar os principais pontos junto à equipe econômica do governo. A ideia, segundo Bittar, é apresentar o relatório com a criação do programa já na próxima semana.

Bittar, no entanto, não disse de onde sairiam os recursos para bancar o novo programa social. “Não adianta agora a gente especular do que que vai tirar, de onde vai cortar. Mas eu estou autorizado pelo presidente, ele me deu sinal verde”, acrescentou.

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