PSDB pede expulsão de deputado indicado pelo Centrão para ser aliado de Maia

O PSDB anunciou nesta quarta-feira (5) um processo de expulsão contra o deputado Celso Sabino (PSDB-PA). O motivo da medida drástica é a indicação do deputado tucano para o cargo de líder da maioria na Câmara, cargo hoje ocupado por Aguinaldo Ribeiro (Progressistas-PB), um aliado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O pano de fundo da decisão da legenda é a disputa entre Maia e o líder do Progressistas, Arthur Lira (AL), pré-candidato ao comando da Câmara. O atual presidente da Casa deve indicar um outro nome na disputa. Sabino teve o seu nome escolhido para vaga de líder da maioria por partidos do Centrão, grupo comandado por Lira. A intenção seria enfraquecer Maia ao tirar um aliado do presidente da Câmara do posto. A substituição, porém, ainda não foi oficializada.

“Comunicamos que, ainda na tarde de hoje, serão adotadas as medidas formais para submeter, conforme regras internas, a solicitação de expulsão do deputado Celso Sabino dos quadros do PSDB”, diz nota assinada pelo presidente da sigla, o ex-ministro Bruno Araújo. Na nota, o tucano cita ainda a posição política do partido em relação ao governo federal e critica postura do parlamentar, que tomou a decisão de aceitar a indicação para a vaga “sem discussão e em dissonância com o partido”.

O líder da maioria é indicado pelo partido ou bloco que tem maior número de deputados. É comum ser um parlamentar alinhado ao governo. Ele tem a função de ser o porta-voz da vontade da maioria das siglas com representação na Casa. Além de Lira, o líder do PL, Wellington Roberto (PB), também fez parte da articulação para tirar Ribeiro do posto e colocar Sabino no lugar. Os dois tentam restaurar a força do Centrão após o desembarque do MDB e DEM do “blocão”, anunciado na semana passada. O motivo foi a aproximação do grupo com o presidente Jair Bolsonaro, com a indicação de cargos no Executivo em troca de apoio em votações de temas de interesse do governo, o chamado “toma lá, dá cá”.

Lira nega que a troca tenha a intenção de enfraquecer o grupo de Maia. “Mais uma vez, dar-se uma dimensão desproporcional a um fato. Caso haja mudança na Liderança da Maioria, a mesma será feita em comum acordo com os líderes em cumprimento ao regimento da Casa”, disse ele, em nota enviada ontem. Cerca de dez partidos assinaram o pedido para a troca na liderança da Maioria. O documento ainda não é público. É necessário um despacho da Mesa Diretora da Câmara, comandada por Maia, validando o requerimento para que ele possa ser aceito ou não.

Sabino foi um dos protagonistas da “guerra de listas” para a liderança do PSDB na Câmara, no ano passado. Dividido em duas alas, a bancada tucana expôs a queda de braço entre o governador de São Paulo, João Doria, e o deputado Aécio Neves (MG), que apoiava Sabino. No fim, para encerrar a disputa, o partido decidiu manter Carlos Sampaio (SP) na liderança.

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