Vereadores acolhem pedido de impeachment e afastam prefeito de Jequié por 90 dias

A Câmara Municipal de Jequié acolheu o pedido de abertura de processo de impeachment do prefeito Sérgio da Gameleira (PSB) em sessão realizada na noite desta terça-feira, 16. Com o voto favorável de 10 vereadores e contrário de 6, o prefeito ficará afastado do cargo pelo prazo de até 90 dias, quando o processo será julgado definitivamente pela Casa..

A denúncia enviada pelo professor José Carlos Almeida Filho aponta uma série de irregularidades cometidas pelo gestor, a começar pelo desconto em folha salarial dos servidores públicos do INSS sem o correspondente repasse à União, o que gerou multas e juros por atrasos da ordem de R$ 1.770.100,89 para o município.

Este foi o quarto pedido de impeachment recebido pela Câmara ao longo de três anos e meio de mandato de Sérgio da Gameleira e a segunda vez em quatro anos que o município lida com o afastamento de um gestor. Entre maio e agosto de 2016, Tânia Brito foi afastada por determinação do Tribunal de Justiça da Bahia, ao ser responsabilizada por deixar cerca de 2.000 alunos da rede municipal de ensino sem aulas por seis meses. Durante a ausência da titular, quem assumiu a prefeitura foi o próprio Sergio da Gameleira, que era o vice e logo que saiu anunciou a candidatura à sucessão municipal, contrariando a vontade de Tânia e de seu mentor, o ex-deputado federal e prefeito por dois mandatos seguidos por Jequié, Roberto Brito (PP).

Agora será a vez de Sérgio ceder a cadeira a seu vice, Hassan Youssef (Podemos), que ocupará o cargo interinamente por três meses em caso de absolvição e em caso de condenação.até dezembro, quando termina o mandato.

Situado a 369km de Salvador, Jequié é cidade-polo de uma microrregião formada por 27 municípios. Jequié está em sexto lugar no ranking estadual em número de casos confirmados de Covid-19, com 623 infectados e 22 óbitos, atrás de Salvador (21.162), Itabuna (1.523), Feira de Santana (1.090), Ilhéus (880), Lauro de Freitas (866).

As políticas de combate ao coronavírus serviram de argumento para os defensores da permanência do prefeito no cargo. “Vivemos um problema mundial que é a pandemia. o que será dessa cidade? Vai mudar toda a sua equipe de a saúde que já está preparada para enfrentar essa situação?.Vamos deixar que o povo julgue Sergio da Gameleira nas eleições”, disse o vereador Valdemir Braga, o Pastoleiro (Podemos).

“Não vemos nenhuma ação plausível que justifique essa preocupação, Pelo contrário. O que temos visto é uma gestão temerária mesmo durante a pandemia, quando levamos à Polícia federal uma denúncia de direcionamento de licitação”, contrapôs o vereador Colorido (PRP).

O líder da oposição, Soldado Gilvan (Republicanos) pontuou que nem o fato de restarem menos de seis meses para o fim do mandato justificava a manutenção do então mandatário, “Não podemos deixar essa verdadeira ameaça à população nem mais um dia sequer no poder. O proximo gestor pegará uma cidade destruída, com dívidas de mais de R$ 100 milhões, fraudes em dispensa de licitação, trabalhadores sem receber seus vencimentos, fornecedores com até nove meses de pagamentos atrasados”, pontuou.

A situação também questionou a legitimidade da sessão. Os vereadores Zé Simões (PHS) e Ramon Fernandes (Podemos) queriam que o presidente da Casa, Tinho (PV), só votasse em caso de empate e que o prefeito Sérgio da Gameleira tivesse o direito de continuar no cargo mesmo depois de acolhida a denúncia contra ele. Nenhuma das propostas foi acolhida, o que motivou dois vereadores a abandonarem a sessão antes da votação.

A reportagem do Clase Política tentou ouvir o prefeito Sérgio da Gameleira, que não respondeu ai pedido de entrevista deixado por aplicativo de mensagem. Já o vice Hassan Youssef limitou-se a declarar que “agora não é o momento de falar”.

Por Aurelio Nunes

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