Mendes: “Não devemos acender fósforo para saber se tem gasolina no tanque”

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, pediu “ponderação e cuidado” em meio a um dia de protestos pró-democracia em São Paulo e Rio e mensagens do colega de Corte, decano Celso de Mello, que comparam o Brasil à Alemanha de Hitler.

“A gente não deve acender fósforo para saber se existe gasolina no tanque”, disse Gilmar. “O momento recomenda ponderação e cuidado para todos”.

Durante o fim da manhã e início da tarde deste domingo (31), um grupo de centenas de pessoas pediam a saída do presidente Jair Bolsonaro aos gritos de “democracia” na frente do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. Em outro ponto, próximo à Fiesp, manifestantes a favor do governo chamavam o governador João Doria de “genocida” e pediam “socorro” às Forças Armadas.

Um confronto entre os dois grupos ocorreu e levou à ação da Tropa de Choque da Polícia Militar, que disparou bombas de gás lacrimogênio contra os manifestantes pró-democracia. A rede CNN Brasil exibiu imagens que mostram que a briga foi provocada por um manifestante que portava bandeira de cunho neonazista.

O conflito entre o grupo contrário ao governo e a Polícia Militar durou quase uma hora. Os manifestantes pró-Bolsonaro permaneceram na Paulista, cercados pela tropa regular da PM.

Nazismo
Mais cedo, o ministro Celso de Mello, do Supremo, comparou o Brasil à Alemanha nazista em mensagens enviadas reservadamente a interlocutores pelo WhatsApp. O decano afirmou que bolsonaristas “odeiam a democracia” e pretendem instaurar uma “desprezível e abjeta ditadura” no país. O gabinete do ministro não se manifestou.

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