Weintraub nomeia testemunha de defesa de Dilma secretário do MEC

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, decidiu nomear Wagner Vilas Boas de Souza como novo secretário de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC). Souza é servidor público de carreira e foi secretário-executivo da pasta durante a gestão do ex-senador Aloísio Mercadante (PT-SP).

De acordo com o portal do Ministério da Educação, a nomeação será publicada no Diário Oficial da União nos próximos dias. No currículo de Souza, um fato inusitado para o contexto do governo de Jair Bolsonaro (sem partido): ele foi testemunha de defesa da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) no processo de impeachment.

No processo julgado no Senado, Dilma sofreu acusação de crimes de responsabilidade fiscal ao editar três decretos de crédito suplementar, que totalizavam R$ 1,6 bilhão, sem a autorização do Congresso Nacional. Coube a Vilas Boas demonstrar aos senadores que a movimentação era legal e estava em acordo com as melhores práticas. Seu testemunho foi dado no dia 16 de junho de 2016.

Souza voltará ao órgão depois de pouco mais de três meses na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), de onde é concursado.

De abril a novembro de 2019, Vilas Boas ocupou o cargo de diretor de Desenvolvimento da Rede de Instituições Federais de Educação Superior. O Metrópoles revelou a história. Vilas Boas foi exonerado do cargo.

Agora, retorna para a mesma secretaria, mas como secretário, no lugar de Arnaldo Lima Junior, que pediu demissão no final de janeiro, em meio a uma das maiores crises da pasta, causada por erros na divulgação de notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e falhas no Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Embora a prova seja de responsabilidade de outro órgão do MEC, o sistema, usado para o ingresso em universidades públicas era de sua responsabilidade.

Também no MEC, foi secretário-executivo adjunto, subsecretário de Planejamento e Orçamento, coordenador-geral de Orçamento, gerente de projetos, entre outros.

Wagner Vilas Boas de Souza é doutorando em Administração pela Universidade de Brasília (UnB), mestre em Administração Pública e especialista em Controladoria e Finanças Empresariais pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e graduado em Ciências Contábeis pela União Educacional de Brasília (Uneb).

De acordo com o MEC, ele é um dos criadores do Sistema Integrado de Planejamento Orçamento e Finanças do Ministério da Educação (SiMEC) e da Plataforma Aberta para Gestão e Acompanhamento do Plano de Desenvolvimento Institucional para as Universidades Federais Brasileiras (ForPDI), ambos com registro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

O MEC foi procurado para explicar os critérios utilizados na seleção do profissional, mas não respondeu às demandas da reportagem até a última edição desta matéria. O espaço continua aberto.

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