Para Lula, “não existe essa história de antipetismo”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (15) que “não existe essa história de antipetismo” e que é “muito difícil eleger alguém de esquerda sem o PT” no Brasil. A fala se deu no contexto da possibilidade de que o candidato da esquerda brasileira à Presidência em 2022 seja o governador do Maranhão, Flávio Dino, que é do PCdoB.

Comentando a rejeição ao seu partido em participação no “Entrevistas”, da TV Trabalhador, ele afirmou que é “normal” que o partido seja colocado em evidência, nas críticas populares, em função do seu tamanho. “Como o PT é muito forte, é normal. Quando eu era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, a gente só falava da Volkswagen. Não é porque a gente gostava da Ford ou da Mercedes, era porque a Volkswagen era maior”, explicou.

Perguntado sobre como recuperar a imagem pública do partido, que, por exemplo, perdeu a prefeitura de São Paulo em 2016, quando Fernando Haddad não conseguiu se reeleger, sendo derrotado pelo atual governador do Estado, João Doria (PSDB), ainda no primeiro turno, ele defendeu: “Fazendo campanha. O PT tem soldado, militante para ir para a rua”.

Lula também negou que ele ou o PT tenham relutância em apoiar nomes de outras legendas, citando inclusive a ex-deputada federal estadual pelo Rio Grande do Sul Manoela D’Ávila, e o deputado federal Marcelo Freixo (PSol-RJ), mas que os nomes do partido precisam ser levados em conta, bem como as pesquisas eleitorais. “O PT tem aliança ampla até demais. Acontece que temos que levar sempre em conta a realidade local e, quando você tem o melhor candidato, que está à frente nas pesquisas, é correto que você tenha a cabeça de chapa”, alegou.

“Quando um exército entra em guerra, depende dos generais que você tenha, os soldados que você tenha”, disse o ex-presidente.

Sobre sua intenção de percorrer o país, o petista afirmou que “não quer começar a viajar o Brasil com raiva”. “Quero falar das coisas que eu acho que têm que acontecer no Brasil. Não é possível aceitar que em um país do tamanho do Brasil pessoas passem fome, que o presidente fique regateando se vai dar o salário mínimo de R$ 1.039 ou de R$ 1.045; no meu governo, aumentou 74%”, disparou.

Lula também criticou incisivamente o desemprego e a informalidade: “Se diz que trabalhar no Uber é ser empreendedor. As pessoas trabalham no Uber porque não tem condições de ter um emprego formal. Tiraram todos os direitos trabalhistas e querem que as pessoas voltem a trabalhar achando que um cara que está entregando pizza é empreendedor”.

São Paulo
A respeito do caso específico de São Paulo, Lula afirmou que o PT tem condições de recuperar seu eleitorado. Especialmente porque, na sua opinião, os três melhores prefeitos da maior capital brasileira foram petistas: Marta Suplicy (hoje, sem partido), Luiza Erundina (PSol) e Fernando Haddad. “É só pegar os dados”, defendeu.

“O PT é um grande partido em São Paulo e tem um cinturão vermelho ali. É muito mais fácil o PT recuperar, se tiver um discurso correto, indo para a rua e falando, confirmando, afirmando o porquê que existe o PT, para que o PT foi criado, o que o PT fez”, sustentou o ex-presidente.

E continuou: “Por que criamos um partido? Para dar vez e voz àqueles que nunca tiveram. Queremos um partido para fazer as transformações que é possível fazer na democracia. Em 2015, queria radicalizar mais ainda. Por que que pode uma pessoa só juntar R$ 40 bi e crianças pedindo esmola e comendo na rua?”, questionou.

Entre os possíveis nomes, ele citou o ex-ministro da Saúde e deputado federal por São Paulo Alexandre Padilha; o deputado federal Carlos Zarattini; e o arquiteto Nabil Bonduki.

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