Conheça a nova estação de pesquisa brasileira na Antártica

A nova estação brasileira na Antártica será inaugurada nesta terça-feira (14) pela Marinha. Autoridades como o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, e o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, participarão.

A Antártica possui cerca de 14 milhões de km² – faixa territorial superior à do Brasil. Lá se encontra a maior reserva de água potável congelada do planeta, tipos e quantidades de minerais ainda desconhecidos e uma considerável diversidade de micro-organismos, plantas e animais. Além disso, o continente tem grande influência no clima brasileiro e mundial.

As instalações da Estação Comandante Ferraz serão entregues quase oito anos depois do incêndio que destruiu a base anterior, instalada em 1984. O incêndio teve início no local onde ficavam os geradores de energia do complexo e atingiu 70% da estrutura da estação. Dois militares morreram na ocasião.

Investimento, capacidade e pesquisa
A nova estação recebeu um investimento de US$ 99,6 milhões do governo brasileiro, o equivalente a cerca de R$ 400 milhões. O espaço tem capacidade para acomodar até 64 profissionais do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), além de contar com 17 laboratórios.

Criado em 1982, o Proantar tem objetivos relacionados à produção de conhecimento científico sobre a Antártica e suas relações com o restante do sistema climático global, envolvendo a criosfera, os oceanos, a atmosfera e a biosfera.

De acordo com o governo, na última chamada do programa foram aprovados 19 projetos de pesquisa, que têm impacto direto nas ciências básicas e aplicadas para o Brasil.

Veja as áreas de estudo na Estação Antártica Comandante Ferraz:

O papel da criosfera no sistema terrestre
Dinâmica da alta atmosfera na Antártica
Mudanças Climáticas e o Oceano Austral
Biocomplexidade dos ecossistemas antárticos
Geodinâmica e história geológica da Antártica
Química dos oceanos, geoquímica marinha e poluição marinha
Biologia Humana e Medicina Polar
Inovação em novas tecnologias

Divisão por módulos
Para realizar a pesquisa no continente antártico, os trabalhos serão divididos em três módulos: blocos Leste, Oeste e Técnico.

O Bloco Leste será responsável pelas pesquisas, convivências e serviços. Nele também ficam os refeitórios, a cozinha, a ala de saúde, a sala de secagem e as oficinas.

No Bloco Oeste será onde os pesquisadores irão morar. Há 32 quartos, uma biblioteca, uma academia e um auditório. Nesse bloco também estão os depósitos de mantimento e reservatórios de água.

Já o Bloco Técnico será responsável pelo controle das redes elétrica, sanitária e de automação da estação como um todo. Nesse módulo há ainda uma estação de tratamento de água e esgoto, casa de máquinas, geradores, sistemas de aquecimento e um incinerador de lixo.

Redução de impactos ambientais
O projeto de engenharia da nova estação brasileira foi desenvolvido para reduzir os impactos ao meio ambiente. Do total da energia consumida no centro de pesquisa, por exemplo, 30% vem de fontes renováveis produzidas por placas solares e por uma mini usina eólica instalada no local. Além disso, o calor emitido pelos geradores de energia é canalizado para aquecer a usina, ao invés de ser lançado para o ar.

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