Eduardo Bolsonaro recua e se desculpa por fala sobre “novo AI-5”

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) recuou no fim da tarde desta quinta-feira (31) e declarou que “não há possibilidade de retorno do AI-5 atualmente”. Em vídeo postado no Facebook, ele classificou a intensa reação à sua declaração como uma “interpretação errada” do que ele havia dito.

“Não existe qualquer possibilidade de retorno do AI-5, e a minha posição é bem confortável. Não fico nem um pouco constrangido de pedir desculpa a qualquer tipo de pessoa que tenha se sentido ofendida ou imaginado o retorno do AI-5”, afirmou.

“A gente vive em um regime democrático, nós seguimos a Constituição. Inclusive, esse é o cenário que me fez ser o deputado mais votado da história”, afirmou o filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que teve mais de 1,8 milhão de votos em 2018. “Não tem por que eu descambar para o autoritarismo, eu tenho ao meu favor a democracia.”

Estão interpretando de maneira errada o que eu disse sobre o AI-5. Não há a possibilidade de retorno do AI-5 atualmente. Vivemos sob a égide da constituição de 1988 e eu fui eleito democraticamente, não há motivo para se imaginar em radicalizar. Igualmente sigo sendo parlamentar, meu trabalho é falar, parlar e é para isto que temos imunidade.

Publicado por Eduardo Bolsonaro em Quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Eduardo também disse que, se pudesse, “refaria a declaração sem citar o AI-5, para não dar essa polêmica toda”, mas destacou que tem “imunidade parlamentar”. Ele criticou, ainda, a oposição: “Agora é óbvio que a oposição vai tentar pegar esteira na minha fala para tentar me pintar como ditador”.

“É somente isso que eu peço: respeito à Constituição, e aproveito aqui para reafirmar os valores democráticos e constitucionais”, finalizou o parlamentar.

Embora tenha dito que não há possibilidade de instituição de um novo AI-5, Eduardo postou na tarde desta quinta-feira (31) um vídeo no Twitter em que volta a citar a medida como possível resposta a uma “radicalização” de protestos ou “atos terroristas”.

A fala causou intensa repercussão no meio político, com repúdios públicos dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e de uma série de parlamentares e partidos.

O próprio presidente Jair Bolsonaro (PSL) já havia comentado a polêmica: “AI-5, no passado, existia outra Constituição. Esquece isso. Não existe mais”. “Quem quer que seja que fale em AI-5 está sonhando. Está sonhando. Está sonhando. Não quero nem ter notícia disso daí”, afirmou.

Contexto

A declaração de Eduardo foi dada em entrevista à jornalista Leda Nagle. Comentando o contexto do Chile, ele afirmou que “se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta”. “E uma resposta pode ser via um novo AI-5, pode ser via uma legislação aprovada por meio de um plebiscito, como ocorreu na Itália. Alguma resposta vai ter que ser dada.”

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