“Alfabetização no Brasil é um desastre”, avalia Weintraub

O Ministério da Educação (MEC) abriu nesta terça-feira (22) a Conferência Nacional de Alfabetização Baseada em Evidências (Conabe), com um discurso inicial prometendo uma educação com “bases científicas”. Durante toda a semana, o evento reúne discussões acerca de experiências internacionais e pesquisas que possam servir de parâmetro para a Política Nacional de Alfabetização (PNA).

Em discurso, o titular da pasta, Abraham Weintraub, disse que a PNA, instituída pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL), representa a “coragem de confrontar falsos experts”. “Se os governos anteriores se preocupassem menos em doutrinar e se preocupassem mais em ensinar, ler e escrever e fazer conta, talvez o Brasil não estivesse em último lugar na América do Sul”, declarou o ministro, em referência aos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa).

“O ensino, a alfabetização do Brasil é um desastre. Os ‘arautos’ que se julgam supremos são charlatões, porque se eles são responsáveis por esse resultado. Metade das nossas crianças no terceiro ano são analfabetas. A técnica usada no Brasil para alfabetizar no Brasil é errada, porque das variáveis disponíveis, ou o brasileiro é inferior a um americano, a um europeu, a um asiático, ou o que nós fazemos com essa criança brasileira é errado. E eu me recuso a acreditar que o brasileiro seja inferior”, declarou ele.

“A PNA se diferencia de outras formas de encarar a alfabetização porque se apoia em evidências científicas”, complementou o secretário de alfabetização do MEC, Carlos Nadalim. Durante a semana, doze especialistas — que, segundo o secretário, terão “autonomia” — devem coletar orientações curriculares, dados científicos, práticas e materiais pedagógicos para produzir recomendações que serão reunidas, futuramente, no Relatório Nacional de Alfabetização Baseada em Evidências (Renabe).

Nesse sentido, segundo o presidente científico da Conabe, Renan Sargiani, o intuito é fazer uma revisão da política de alfabetização que “levará em conta critérios metodológicos claros e passíveis de replicação” e que “desqualifique crenças em favor de fatos científicos”. “Queremos apresentar um documento evidenciado em ciência e não em ideologias”, sustentou.

A conferência
A programação do evento segue até a próxima sexta-feira (25), com palestras, simpósios e mesas sobre temas como ciências cognitivas, bases neurobiológicas da aprendizagem da leitura e da escrita e dificuldades e distúrbios da leitura e da escrita. Entre os convidados, há professores dos Estados Unidos, França, Chile, Alemanha e Portugal, bem como de universidades brasileiras de São Paulo e do Ceará.

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