Com ataques do governo ao Congresso, Maia ganha confiança de novatos

No sexto mandato consecutivo como deputado federal, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ganhou ainda mais notoriedade com o trabalho de articulação em uma Casa desconfiada das ações do governo federal da vez. Como o Palácio do Planalto comandado por Jair Bolsonaro (PSL) já protagonizou diversos episódios de ataques ao Congresso Nacional, o deputado fluminense cresce na imagem com os colegas a cada vez que reage às opiniões de integrantes do Executivo e desempenha um papel de líder entre os congressistas, sobretudo com os calouros, que significam 47% do grupo — maior índice de renovação desde a redemocratização.

Na pauta prioritária da gestão do presidente da República, a reforma da Previdência, Maia foi aclamado pelos parlamentares com a ampla vitória no plenário. Atribuíram a ele o crédito pela aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) 6/2019 e a característica de um bom negociador, “de palavra”.

Após escolher os calouros Marcelo Ramos (PL-AM) para presidir a Comissão Especia que tratou da Previdência e Felipe Francischini (PSL-PR) para ocupar o mesmo cargo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Maia sinalizou abertura para manter o canal de diálogo aberto com os deputados de primeiro mandato.

O amazonense, que conduziu os trabalhos de análise da PEC para enviá-la ao plenário, elogia a liderança exercida por Maia e ressalta o comprometimento do presidente da Casa com o regimento interno, com a independência entre os Poderes e “com a democracia”.

Ramos foi pessoalmente cumprimentar o deputado após o encerramento da tramitação da reforma, no fim do segundo turno. “Não dá para não reconhecer que a Câmara assumiu o protagonismo de fazer a matéria andar, de blindar a matéria das crises com o governo”, disse, em relação à condução de Maia.

Outro novato, Alexandre Frota (PSL-SP), por sua vez, criou uma relação próxima com o deputado depois que passou a coordenar a bancada do PSL na comissão especial. Isso porque ele mantinha reuniões frequentes com a equipe econômica do governo e com Maia. Já foi diversas vezes à residência oficial, mesmo sem exercer cargo formal de liderança. À reportagem, ele mostrou um áudio em que Maia fala sobre o trabalho dele como parlamentar.

“O Frota pra mim é uma surpresa. (…) rapidamente compreendeu a importância do diálogo sem abrir mão da sua forma de comunicar com suas bases eleitorais. Esse perfil não era o perfil que ninguém imaginava, mas tem sido o principal articulador do PSL”, disse Maia.

Liderança
Atuante na campanha de Maia para a Presidência da Casa, Luís Miranda (DEM-DF) é colega de partido do deputado fluminense. “Por conta do meu conhecimento de internet, redes sociais e comunicação digital, ele me chamou para colaborar com a campanha dele. Passei a conhecer outro Rodrigo Maia, que eu já admirava”, disse.

Miranda conta que quando Maia estabelece a relação de confiança com algum parlamentar, permite que ele participe dos trabalhos de comissão, de reuniões das quais geralmente só participam líderes partidários e de conversas avançadas sobre as pautas. “Pouco a pouco tenho aprendido muito ao lado dele”, acrescentou.

Para o analista político Creomar de Souza, a dificuldade que o governo Bolsonaro criou para construir uma boa relação com os parlamentares fez com que o colegiado encontrasse em Maia a figura de líder. A falta de estratégia de diálogo do Executivo com o Parlamento, segundo o especialista, tem se fortalecido pelo papel de articulação de Maia. “Tem o fator da renovação, mas, sobretudo, tem o papel que o presidente da Casa representa, de quem vai ditar o caminho das pedras e dizer qual a postura que um congressista tem que ter”, finalizou.

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