Dono da Gol assina delação premiada e acusa Temer, Geddel e Cunha

Brasília(DF), 16/12/2016 - Em cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer entregou condecorações a 11 colombianos que auxiliaram no resgate às vítimas do voo da Chapecoense, que caiu na cidade de Medellín, no dia 29 de novembro. O prefeito de Chapecó Luciano Buligon também foi homenageado. Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles

O empresário Henrique Constantino, um dos donos da companhia aérea Gol, assinou um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) e admitiu pagamentos de propina em troca da liberação de financiamentos da Caixa Econômica Federal para suas empresas.

A delação foi homologada pelo juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, e traz acusações contra o ex-presidente Michel Temer (MDB), o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) e o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB). A informação foi antecipada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Metrópoles.

No depoimento, o empresário contou sobre seu relacionamento com os emedebistas e afirmou ter participado de uma reunião em 2012 com o então vice-presidente da República, Michel Temer, durante a qual houve o pedido de R$ 10 milhões em troca da atuação dos parlamentares em favor da liberação dos financiamentos pleiteados pela Gol junto à Caixa.

“Sobre a reunião em junho de 2012, em Brasília, com Eduardo Cunha e [o ex-ministro e ex-deputado] Henrique [Eduardo] Alves, informou ainda que se reuniu com eles e o então vice-presidente Michel Temer; que foi solicitado pelo grupo o valor global de R$ 10 milhões em troca de atuação ilícita de membros do grupo em diversos negócios, como foi o caso da operação da Via Rondon com o FI-FGTS”, disse Constantino em depoimento.

Segundo Constantino, essa propina foi paga via caixa 2 à campanha de Gabriel Chalita (PDT-SP) à Prefeitura de São Paulo em 2012 e por meio de repasses a empresas do operador financeiro do MDB à época, Lúcio Funaro.

“Efetuou pagamentos para a campanha de Gabriel Chalita em 2012 (pagamentos de despesas), conforme combinado com o grupo, além de efetuar pagamentos para empresas indicadas por Funaro, como Viscaya e Dallas”, relatou Constantino em depoimento ao MPF.

“Ficou claro para o depoente, nessa reunião, que a contribuição dos R$ 10 milhões era em troca de auxílio aos pleitos do depoente por esses membros do então partido PMDB”, completou o empresário.

Sobre os crimes cometidos contra a Caixa, Constantino se comprometeu a pagar R$ 70,7 milhões aos cofres da instituição. O valor corresponde a 10 vezes a propina paga por ele ao operador Lúcio Funaro, de R$ 7,07 milhões, que seria distribuída aos políticos do MDB.

Do total acordado, R$ 63,3 milhões serão pagos por meio de seis depósitos semestrais cuja primeira parcela tem que ser efetivada no próximo dia 30 de maio, e a última, em 30 de novembro de 2021. Outros R$ 7 milhões serão pagos em até 60 dias e vão ser usados na execução de projetos sociais ainda a serem definidos.

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