Coronel Lima consertou descarga e comprou itens de limpeza para Temer

Brasília (DF), 19/03/18. Abertura do Forum Mundial da Água - Presidente Michel Temer e chefes de estados. Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Mais do que amigos desde a década de 1980. O Inquérito dos Portos detalha uma relação entre o ex-presidente da República Michel Temer e o coronel reformado da Polícia Militar João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, de parceria, que não se limitaram à reforma da casa da filha do emedebista, Maristela Temer. A própria residência do ex-presidente teria recebido “melhorias” bancadas pela empresa do militar.

Conforme apuração da Polícia Federal, até compra de material de limpeza para a casa de Temer foi feita pela empresa de Lima Filho, que também teria se encarregado de consertar descarga de um dos banheiros do lugar. A informação foi divulgada pelo blog da jornalista Natuza Nery, da GloboNews.

Segundo a reportagem, nas 820 páginas da apuração policial, o delegado federal Cleyber Malta Lopes, responsável pelo caso, mapeou dezenas de depoimentos, e-mails e recibos para apontar o que Lima teria bancado ao amigo.

Duas notas fiscais em nome de Temer, uma no valor de R$ 183,12 e outra de R$ 185, trazem o e-mail do funcionário encarregado do setor de compras e serviços gerais da Argeplan, firma de Lima Filho.

Em depoimento prestado no âmbito do Inquérito dos Portos, um funcionário da empresa contou ter ido à residência do então vice-presidente da República para fazer o conserto da descarga de um dos banheiros do lugar. Em outras duas ocasiões, afirmou ter feito reparos no portão e no aquecedor da propriedade, completa a jornalista.

Confira trechos dos depoimentos divulgados pelo blog: 

Reprodução

Investigadores e procuradores que atuaram no caso afirmam que, durante duas décadas, Lima Filho montou uma estrutura de corrupção em nome de Michel Temer. As defesas negam.

Réus
O ex-presidente e a filha foram denunciados nesta terça-feira (2/4) pelo Ministério Público de São Paulo por terem supostamente usado dinheiro de propina para reformar a casa de Maristela.

Também nesta terça, o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, aceitou duas denúncias oferecidas pela força-tarefa da Lava Jato do Rio de Janeiro contra o ex-presidente Michel Temer (MDB), o ex-ministro de Minas e Energia Moreira Franco e outras nove pessoas.

O grupo é acusado de desvios nas obras da Eletronuclear e responderá pelos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e desvio de R$ 18 milhões.

Foram denunciados, também, o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear, e suas filhas Ana Cristina da Silva Toniolo e Ana Luiza Barbosa da Silva Bolognani, por evasão de divisas e lavagem de dinheiro, pela manutenção em contas no exterior de valores que chegam a 15 milhões de francos suíços, o equivalente a quase R$ 60 milhões, advindos de atividades ilícitas, segundo o Ministério Público Federal do Rio (MPF).

O grupo foi alvo da Operação Descontaminação, que resultou na prisão de Michel Temer e Moreira Franco, soltos no último dia 25. A ação foi iniciada com o acordo de colaboração premiada firmado com um dos envolvidos. O depoimento teria apontado para a existência de sofisticado esquema criminoso para pagamento de propina na contratação das empresas Argeplan, AF Consult Ltd. e Engevix na execução do contrato da usina nuclear de Angra 3.

Outro lado

À jornalista Natuza Nery, o advogado de Temer, Eduardo Carnelós, disse em nota que “Michel Temer não recebeu nenhum tipo de vantagem indevida, seja originária de contratação da Eletronuclear, seja originária de qualquer outra operação envolvendo órgãos públicos. Por isso, nunca poderia ter praticado lavagem de dinheiro ilícito, que nunca lhe foi destinado”.

A defesa de coronel Lima criticou o que chama de precipitação do Ministério Público Federal do Rio e de São Paulo. Apontou ainda “a inexistência de provas dos supostos crimes”, segundo nota dos advogados Cristiano Benzota e Mauricio Leite – registra a reportagem.

Por fim, o advogado Fernando Castelo Branco, defensor de Maristela Temer, alegou: “a origem dos valores utilizados para a reforma de sua residência é lícita”. Ele também disse que a filha do ex-presidente “jamais participou de qualquer conduta voltada à lavagem de dinheiro”.

 

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