Audiência pública debate direitos da mulher na PM e no Corpo de Bombeiros

A importância da mulher na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros da Bahia, bem como seus direitos, foi debatida nesta quarta-feira (14), na Assembleia Legislativa, em audiência pública proposta pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública, deputado Marcelino Galo (PT). A Bahia é o terceiro estado brasileiro em número de mulheres na Polícia Militar. Dos 30.631 profissionais vinculados à instituição, segundo levantamento do IBGE, feito em 2014, 4.380 são mulheres, 13,9% do total da corporação.  No Corpo de Bombeiros são 548 mulheres. A inserção da mulher nesse espaço originalmente masculino, bem como a ausência de estratégias para o contexto de mudança na cultura organizacional a partir da criação da Companhia de Polícia Militar Feminina, em 1990, foi analisada no debate à luz das relações de poder e de gênero.

“Hoje ainda temos uma estrutura que não foi pensada para a policial militar. Ainda temos, por exemplo, problemas com alojamento, que não é adequado para acolher as mulheres. A estrutura não leva em conta a questão de gênero”, afirmou a soldado Alaice Gomes, da Associação dos Cabos e Soldado da Polícia Militar.

As reivindicações das policiais são legítimas, analisou o deputado Marcelino Galo, ao observar que as mulheres têm dado importantes contribuições a segurança pública na Bahia. “Aqui está a capitã Leidian Peixoto, grávida, e para mim ela simboliza muito bem a necessidade de se discutir a participação da mulher na polícia por conta das diferenças que existe”. Galo fez um paralelo, na audiência, com a aprovação da PEC 55 pelo Senado Federal, que prevê o congelamento dos gastos públicos por 20 anos. Para o parlamentar, as medidas do governo Temer impactarão as finanças dos Estados e municípios, tornando os serviços públicos de saúde e segurança mais precarizados, o que contribuirá também para a escalada da violência.

“Lamentavelmente, a educação pública, com a PEC aprovada ontem no Senado, perderá R$ 510 bilhões. Com a educação pública ainda mais precarizada pela escassez de recursos, a juventude estará excluída, sem perspectiva de futuro. Some-se a isso o desemprego, fruto do ultraliberalismo. O resultado, infelizmente, será com que vocês tenham mais trabalho, sejam muito mais cobradas por isso e vivam com mais estresse”, analisou o deputado, para quem o efeito cascata atingirá todas as áreas dos serviços públicos. “É o que está colocado pelos golpistas, que estão comprometidos em garantir os lucros dos rentistas que vivem de explorar a dívida pública”, pontuou Galo, que sugeriu a criação de um Grupo de Trabalho para consolidar as discussões e encaminhar as propostas apresentadas pelas policiais ao governo do Estado.

Também participaram do evento oficiais, agentes da segurança pública, segmentos da sociedade interessados em debater o tema no parlamento e as deputadas Luiza Maia, Maria Del Carmen, Bira Coroa e Zé Neto.

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