Doleiro será ouvido em julho na Câmara

O doleiro Alberto Youssef deverá ser ouvido pelo Conselho de Ética da Câmara em 1º de julho. A oitiva, autorizada pelo juiz Sérgio Moro, será realizada por videoconferência transmitida em reunião aberta do colegiado.

Pivô de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, Youssef deverá explicar sua relação com o deputado André Vargas (sem partido-PR) e o empréstimo de um jatinho usado por Vargas para viajar com sua família para uma praia no Nordeste.

O doleiro integra o grupo de oito testemunhas indicadas pelo relator do processo contra Vargas no Conselho de Ética, deputado Júlio Delgado (PSB-MG). Com exceção de Youssef, os demais deveriam ter comparecido ? reunião do Conselho nesta quarta-feira (18) para depor no processo.

No entanto, o líder do PT na Câmara, Vicentinho (SP), o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) e o presidente do PT, Rui Falcão, alegaram que o convite feito a eles tem caráter político-eleitoreiro e, por isso, não iriam prestar depoimento.

Rui Falcão foi um dos principais políticos que pressionaram Vargas a renunciar ao mandato e ao cargo de vice-presidente da Câmara, além de ter atuado para que Vargas se desfiliasse do PT. Ele também entrou com um pedido no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para pedir a vaga de Vargas na Câmara. Já Vaccarezza foi incluído no processo por ter defendido Vargas desde o início das publicações das denúncias.

“Mesmo que eles não tenham vindo, continuamos com o processo, contando os prazos legalmente. Comparecer ajudaria a elucidar algumas coisas, mas o não comparecimento mostra que o partido que está pedindo seu mandato na verdade o está apoiando. Quem não diz nada também diz muita coisa e isso mostra a disposição deles em proteger André Vargas”, afirmou o relator.

Segundo Delgado, o secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha, e o dono da Elite Aviation, empresa dona do jatinho usado por Vargas, Bernardo Tosto, responderam ao convite informando que, por motivos particulares e previamente agendados, não poderiam comparecer ? Câmara nesta quarta. Tosto, no entanto, se dispôs a responder aos questionamentos por escrito. O Conselho irá encaminhar as perguntas na sexta-feira (20).

De acordo com as investigações da Polícia Federal, Gadelha se encontrou com Vargas e com o doleiro para discutir contratos do laboratório Labogen, que teria sido usado pelo doleiro para lavar milhões de reais. Os sócios do laboratório, Leonardo Meirelles e Esdra Ferreira também foram convidados mas não enviaram resposta ao Conselho de Ética.

Diferentemente do que acontece em uma CPI, o Conselho de Ética não tem poder para convocar testemunhas. O colegiado faz apenas convites que não precisam nem ser respondidos. Segundo Delgado, ele irá convidar novamente as testemunhas, exceto Youssef, indicadas por ele para depor na próxima quarta-feira (25). Se novamente ninguém comparecer, ele poderá dispensá-las e poderá começar a ouvir as testemunhas de defesa indicadas por Vargas. Os primeiros convites foram feitos em 3 de junho.

Segundo Delgado, mesmo entre um jogo do Brasil na Copa do Mundo, realizado nesta terça-feira (17), e o início do feriado de Corpus Christi nesta quinta-feira (19), a reunião de hoje foi mantida para a contagem de prazo. Ele afirmou que pretende entregar o seu relatório sobre o processo ainda em julho, antes do início do recesso parlamentar. Para ele, mesmo que a defesa peça mais prazo ou tente postergar o processo, é possível concluí-lo antes das férias parlamentares.

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