Brasil entra no mês da Copa com várias obras atrasadas

O Brasil entra no mês da Copa do Mundo com o estádio de abertura, a Arena Corinthians, ainda em fase de realização de evento-teste – que por sinal não será executado com capacidade total de público, considerando-se as exigências para o Mundial – e muitas obras inacabadas. Boa parte das intervenções da área de mobilidade urbana não está pronta, e ficará para depois da Copa. O mesmo ocorre em relação aos aeroportos.

Mas os problemas não param por aí. Há risco real de internet e celular falharem em pelo menos seis estádios da Copa, pois equipamentos não foram instalados a tempo de fazer os testes necessários para oferecer um serviço de qualidade.

Até mesmo o governo federal parece ter perdido o controle sobre as intervenções ligadas ? Copa. A última atualização da Matriz de Responsabilidade, o documento que estabelece as atribuições dos governos federal, estaduais e municipais relacionadas ao Mundial foi feita quase um ano atrás, em setembro de 2013. E há informações desencontradas sobre o estágio de várias obras.

A estimativa é de que pelo menos a metade das obras prometidas para a Copa do Mundo não será concluída até 12 de junho, quando Brasil e Croácia darão o pontapé inicial da competição. E muitas vão ser entregues parcialmente.

É o caso, por exemplo, do corredor Transcarioca, que terá parte inaugurada neste domingo. Obra de orçamento mais alto entre as listadas na Matriz, R$ 1,9 bilhão, vai ligar quando estiver completa o aeroporto do Galeão ? Barra da Tijuca, num percurso de 39 quilômetros. Por enquanto, porém, o serviço será parcial. “A Copa é a primeira etapa da operação’’, explicou o secretário municipal de Transportes do Rio de Janeiro, Alexandre Sansão.

Em São Paulo, parte das intervenções viárias no entorno do Itaquerão, única obra de mobilidade da cidade ligada ? Copa, já foi entregue. Mas a promessa era de que tudo fosse concluído em maio. O mês acabou e ainda há o que fazer. As autoridades garantem que antes do dia 12 tudo estará em operação.

PUXADINHO – Fortaleza já entregou os pontos há muito tempo. Das seis obras de mobilidade urbana que deveriam ser feitas para o Mundial, apenas duas – dois corredores de ônibus – estão prontas. Outras ficarão para 2015. São os casos da mais importante, o VLT Porangaba/Mucuripe, e do corredor da avenida Dedé Brasil.

O VLT deve funcionar na Copa de forma compartilhada com a linha férrea. Quanto ao corredor, a Prefeitura alega que dois foram inaugurados e os outros ficaram para o ano que vem com o objetivo de não transformar o trânsito na capital cearense num caos.

O aeroporto de Fortaleza é um caso a parte. A reforma e a ampliação do terminal não saiu simplesmente porque a empresa responsável por executar a obra abandonou o projeto. A solução foi fazer um terminal temporário, ou seja um “puxadinho’’ de maneira emergencial para a Copa.

Há cidades em situação embaraçosa quando se trata de aeroporto. As obras em Confins, em Minas Gerais, não serão concluídas, nem as de Cuiabá. É o mesmo caso do Galeão. Apesar disso, o governo insiste em garantir que não haverá caos nos saguões e terminais.

Mudanças nos projetos e burocracia são apontados, pelas próprias autoridades, como os principais motivos para o atraso nas obras. Estudo do Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e da Engenharia) de certa forma corrobora esta tese. O levantamento conclui que o Regime Diferenciado de Contratação de Obras Públicas (RDC) é um dos principais responsáveis pelo atraso na entrega de obras de mobilidade e nos aeroportos.

A razão para isso é que o RDC torna mais ágil o processo de licitação, mas a falta de projeto completo da obra impede seu início de imediato e, consequentemente, ocasiona atrasos. De acordo com os dados do Sinaenco, das 45 obras de mobilidade urbana e acesso aos estádios, apenas 9 foram contratadas pelo RDC. E apenas um contrato, de R$ 8,7 milhões para as obras no entorno do Beira-Rio, em Porto Alegre, foi concluído. Isso representa apenas 0,11% do investimento de R$ 7,5 bilhões a ser feito em mobilidade e acesso ? s arenas.

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