Exposição abre comemorações pelo centenário de Diógenes Rebouças

Uma exposição ao ar livre no Farol da Barra abriu ontem (05) as comemorações pelo centenário do arquiteto, artista plástico e professor baiano Diógenes Rebouças, um dos principais nomes da arquitetura moderna brasileira. Nascido em Amargosa, Rebouças completaria 100 anos amanhã (07). São 40 imagens de seus principais projetos em Salvador, como a Avenida Contorno, o Complexo Esportivo da Fonte Nova, a Escola Parque, a Escola Politécnica, a Faculdade de Arquitetura, além de pinturas que retratam a arquitetura da cidade no início do século passado.

As comemorações continuam hoje (6), ? s 16h30, no auditório do Sheraton da Bahia Hotel, no Campo Grande, com a palestra ?Vida e Legado de Diógenes Rebouças?, pelo professor Nivaldo Andrade. A programação inclui a apresentação, pela presidente da Fundação Mário Leal Ferreira, Tânia Scofield, do projeto ?Salvador 500 Anos?, esforço de planejamento de longo prazo (2014-2049) lançado pela Prefeitura no dia 24 de março deste ano. O evento será aberto ao público.

Amanhã, dia do aniversário do arquiteto, será realizada uma missa, ? s 8h30, no Mosteiro de São Bento. Às 18h30, será aberto o ciclo de mesas-redondas ?Centenário de Diógenes Rebouças?, na Faculdade de Arquitetura da UFBa. Estão programados ainda exposição no TCA, encontros e visitas guiadas ? s suas principais obras. Veja programação completa no site www.diogenesreboucas.com.br

Resgate – Para Diógenes Rebouças Filhos, que participou ontem da abertura da exposição no Farol da Barra, a comemoração do centenário resgata a memória do pai e aproxima seu trabalho da cidade. ?A família Rebouças agradece muito esse resgate que cidadãos de sensibilidade fizeram com o nome de meu pai?, disse, destacando a importância do contato de sua obra com a população. ?Ele sempre foi lembrado por grupos acadêmicos, inclusive no Rio e são Paulo. Mas iniciativas como essa faz com que a obra dele volte para a cidade, para o lugar dela?.  

Depois de ver o pôr do sol no Farol, o chefe de cozinha Rosinaldo Rocha, de 29 anos, percorreu todos os 20 totens com as imagens e ficou impressionado com a transformação da cidade. ?Eu não conhecia o arquiteto. É muito bom ver estas obras, comparar como era antes. Vejo isso aqui como uma oportunidade de cultura, de informação?, disse. Para o Velejador Jean Claude Theuenin, a presença das obras na praça, ao ar livre,  facilita o acesso da população. ?Ficou muito bom, combina com a revitalização de todo o bairro?, afirmou.   

A iniciativa é uma realização da Prefeitura de Salvador e Odebrecht Infraestrutura, com apoio do IPHAN e do Conselho de Arquitetura e Urbanismo – CAU/BA,  sob coordenação da Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Arquitetura e do Instituto de Arquitetos do Brasil.
 
O urbanista – Nascido em 7 de maio de 1914, na Vila das Tartarugas, distrito do município de Amargosa, Diógenes de Almeida Rebouças, formado inicialmente em Engenharia Agronômica (1933), mudou-se ainda jovem para Itabuna, onde elaborou, em 1935, seu primeiro projeto arquitetônico: a Catedral de São José. Esse e outros projetos implantados na cidade chamaram a atenção do engenheiro Mário Leal Ferreira. Dali nasceu o convite para projetar os jardins do futuro Estádio Octávio Mangabeira (Fonte Nova), em Salvador.

Crítico do projeto inicial do estádio, Diógenes Rebouças elaborou, em 1941, um novo projeto, este sim implantado. O mesmo Mário Leal Ferreira, ao assumir a coordenação do Escritório do Plano de Urbanismo da Cidade de Salvador (Epucs), em 1943, integrou Rebouças ? equipe. Em 1947, com a morte do engenheiro, Diógenes Rebouças assumiu a coordenação das atividades do órgão.

Diógenes Rebouças teve uma longa e produtiva carreira, tanto no campo privado (Residência Odorico Tavares e Edf. Comendador Urpia) quanto no público (Av. Contorno e Penitenciária Estadual Lemos de Brito). Após receber o título de arquiteto pela Escola de Belas Artes em 1952, teve ainda significativa atuação docente, ingressando no mesmo ano como professor da UFBa, cargo que exerceu até 1984. Boa parte da produção artística de Rebouças está exposta na obra ?Salvador da Baia de Todos os Santos no Século XIX?.

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