Brasil identificou desvios de R$ 19 bilhões

O secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, afirmou hoje que o Brasil
já conseguiu identificar cerca de R$ 19,6 bilhões depositados no país e
no exterior que podem ser fruto de esquemas de lavagem de dinheiro.

O montante foi levantado em investigações que tiveram auxílio de
laboratórios contra a lavagem de dinheiro em diversos estados. Os
laboratórios são uma iniciativa do Ministério da Justiça que criou o
programa em 2006.

Até março do ano que vem, serão investidos R$ 41 milhões na criação e instalação de 43 laboratórios em todos os estados do país.

“Saímos de um cenário de 13 laboratórios em 2010, com investimento de R$
4 milhões nessas tecnologias e chegamos agora a um cenário de 43
laboratórios com mais R$ 36 milhões investidos”, afirmou Abrão em
entrevista coletiva após a cerimônia de assinatura de treze novos
acordos de cooperação técnica para a expansão da rede nacional de
laboratórios. Seis mil pessoas em todo o país foram treinadas para atuar
com as novas tecnologias.

Para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que assinou os
acordos, “o detectar da lavagem de dinheiro pode ser muito mais eficaz e
rápido se tivermos equipamentos tecnológicos que permitem fazer esse
trabalho [de identificação]. Os laboratórios foram acolhidos pelo
ministério como uma política correta de combate ? corrupção”, disse.

De acordo com Abrão, os laboratórios permitem uma análise de um grande
volume de informações com rapidez além de gerar relatórios com alto grau
de precisão, o que diminui a possibilidade de erro humano. “Isso
aperfeiçoa as investigações e o próprio sistema de Justiça, diminuindo
as chances de impunidade nos casos de corrupção”, disse.

O secretário afirmou que nos oito anos de funcionamento dos
laboratórios, 1808 casos foram analisados levando ? identificação de R$
19,6 bilhões de ativos com indício de irregularidades. De acordo com
Abrão, as investigações permitiram o bloqueio de cerca de US$ 200
milhões no exterior. “Esse montante foi devidamente identificado e está
aguardando as ações judiciais terem o trânsito em julgado no Brasil para
que possam ser devidamente repatriados”, disse.

Além disso, o país já iniciou 21 negociações com outros países onde os
valores estão depositados para que haja a recuperação do montante.

Abrão citou como exemplo algumas operações que tiveram auxílio das
tecnologias empregadas pelos laboratórios, como os trabalhos prévios da
Polícia Federal de enfrentamento ao PCC, em São Paulo, o caso do
propinoduto, descoberto em 2002 no Rio de Janeiro, e o escândalo da
construção do edifício do Tribunal Regional do Trabalho em que o juiz
Nicolau dos Santos Neto foi condenado pele desvio de recursos para a
obra.

“Hoje, podemos dizer que todas as grandes operações que envolvem grande
volume de informações passam devidamente pelas estruturas dos
laboratórios”, disse.

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