Prazo para acordo com policiais federais está acabando, diz Miriam Belchior

O prazo para um acordo com os policiais federais, que ameaçam entrar
em greve durante a Copa do Mundo, está chegando ao fim, disse hoje (29) a
ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Em audiência pública na
Comissão Mista de Orçamento (CMO), ela disse que a resistência da
categoria pode impedir ganhos futuros porque a legislação eleitoral
proíbe o envio de propostas ao Congresso a partir da metade do ano.

Segundo
a ministra, o governo está disposto a chegar a um acordo, mas adiantou
ser impossível conceder aumentos salariais acima de 15,8%, acertado com a
maioria dos servidores públicos em 2012. ?Fizemos propostas históricas
de questões que vêm sendo debatidas há muito tempo, como a criação de um
grupo de trabalho para discutir a reestruturação das carreiras, mas
sair desse patamar [de 15,8%] é difícil porque as demais categorias vão
questionar?, explicou.

De acordo com a ministra, a negociação precisa chegar a um resultado
ainda no primeiro semestre. ?O governo continua aberto, mas o prazo está
acabando. Se a negociação não for acelerada, o prazo estabelecido pela
lei eleitoral chegará e não teremos como mandar a proposta para o
Congresso?, advertiu.

Miriam Belchior destacou que, entre todas
as categorias do serviço público, apenas os agentes, escrivães e
papiloscopistas da Polícia Federal recusaram o reajuste de 15,8%
parcelado em três anos. Os delegados do órgão, disse, aceitaram o
aumento e só voltarão a conversar com o governo em 2015.

Segundo a
ministra, o governo concedeu reajustes diferenciados a apenas quatro
categorias: militares, professores universitários, servidores do
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do
Ministério do Meio Ambiente. Apenas esses servidores, explicou, tinham
defasagens salariais históricas que precisavam ser corrigidas com
aumentos superiores a 15,8%.

Ao mencionar que oficiais generais
passaram a ganhar o mesmo que ministros e parlamentares depois de terem
reajustes de 30% nos últimos três anos, a ministra ouviu vaias de
mulheres de militares que acompanhavam a audiência. Originalmente, o
encontro discutiria apenas o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO) para 2015, mas a Comissão de Relações Exteriores e Defesa da
Câmara pediu que a ministra explicasse a política salarial dos
militares.

Compartilhe