Responsável por entregar bomba que feriu cinegrafista se entrega ? polícia

O suspeito de entregar o artefato que atingiu o cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade na última quinta-feira, 6, durante um protesto no Centro do Rio contra o aumento da tarifa de ônibus, apresentou-se ? polícia. O tatuador Fábio Raposo aparece em imagens feitas pela TV Brasil entregando supostamente um rojão para outro manifestante.

O delegado Maurício Luciano da 17ª Delegacia de Polícia (DP) do Rio de Janeiro, em São Cristovão, disse que o tatuador negou ter participação no ocorrido. Além disso, outro homem de calça jeans e blusa cinza flagrado no vídeo também é suspeito. “(O suspeito é) Um indivíduo que está (no vídeo) de bermuda preta e uma tatuagem na panturrilha. Esse elemento, ao ver a sua imagem, resolveu se apresentar na 16ª DP (Barra da Tijuca) para dizer que não teve participação nesse crime contra o cinegrafista. Na verdade, ele achou o artefato no chão e entregou para esse segundo (manifestante), que teria acendido, ou seja, se eximiu da responsabilidade na deflagração do artefato, mas admitiu que era portador desse explosivo”, disse.

Entretanto, a explicação dada pelo tatuador parece não ter convencido a polícia, de acordo com o delegado. “O depoimento dele, de que não teria participação, não nos convenceu, e estamos certos também de que não convencerá o Ministério Público e o Judiciário, porque não é verossímil o que ele disse, que sequer conhecia esse segundo elemento e apenas entregou o artefato para ele, sem conhecê-lo, e que não sabia que ele ia deflagrar (o objeto). Isso não nos convenceu. Portanto, ele vai ser indiciado pelos mesmos crimes daquele (suspeito) que deflagrou o artefato”, indicou.

Ainda segundo o comandante da 17ªDP do Rio, os responsáveis pelo lançamento do objeto serão indiciados pelos mesmos crimes. Apesar da declaração de Fábio Raposo, o delegado afirmou não ter dúvidas sobre o envolvimento dos indivíduos. “As imagens revelam ambos agindo em conjunto. Eles estavam caminhando lado a lado. Então, no nosso entendimento, houve um concurso de pessoas. Ambos vão responder pelos mesmos crimes: tentativa de homicídio qualificada, pelo uso de artefato explosivo, e crime de explosão. A gente não tem dúvida de que ambos são coautores”, afirmou.

Após se apresentar ? polícia, Fábio Raposo deu declarações ? GloboNews, reafirmando não ter cooperado com o autor do disparo do artefato. “Meu nome é Fábio. Eu estava ontem (quinta-feira) na manifestação contra o aumento das passagens. Sim, era eu. As fotos que foram apresentadas nas mídias era eu, sim. Eu era o (homem) de camisa, bermuda e tênis, com as tatuagens, era eu, sim. Era eu passando o artefato para o outro indivíduo, mas o artefato não era meu, eu quero deixar isso bem claro. O artefato não era meu”, assegurou.

O tatuador também tentou esclarecer como ocorreu toda a situação até o momento em que o cinegrafista Santiago Andrade foi atingido. “Logo que eu cheguei, houve um corre-corre. Estava tendo um confronto entre manifestantes e alguns policiais militares. Daí, jogaram uma bomba de gás lacrimogêneo próximo a mim. Eu coloquei a minha máscara de gás, que é mais para minha proteção mesmo, porque machuca o peito e arde o rosto, e foi isso. Eu cheguei, fui até lá. Nesse corre-corre, vi que um rapaz correndo deixou uma bomba cair. Uma bomba, não sei o que é, um negócio preto assim. Daí, eu peguei e fiquei com ela na mão. Esse outro cara veio e falou para mim: ‘Passa aí para mim, que eu vou e jogo. Eu vou e jogo’. Eu peguei e passei para ele. Foi só isso mesmo”, explicou.

O rapaz foi liberado por ter se apresentado ? delegacia espontaneamente e por não ter havido flagrante.

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