Com um a menos, Vitória derrota o Fluminense no Rio

Existem vitórias e existem grandes vitórias. Existem derrotas e há aquelas inexplicáveis. O 3 a 2 obtido pelo Vitória sobre o Fluminense, neste domingo, pelo Brasileirão, no Maracanã, se enquadra no rol dos triunfos aumentativos. O mesmo placar entra para a lista de revezes pífios do time carioca, que atuou em casa, com a vantagem de ter um jogador a mais durante 75 minutos e com apoio de quase 30 mil torcedores.

Derrotado e envergonhado, o Fluminense deixou o campo sob gritos de protesto de sua torcida, que viu a equipe parar nos 36 pontos, na 16.ª colocação e a apenas três pontos da zona de rebaixamento. O próximo adversário é o Flamengo, no Maracanã, daqui a uma semana.

“Viramos o jogo, mas não sei o que aconteceu. Deu um apagão. Inadmissível isso”, criticou o atacante Rafael Sóbis, que chegou a colocar seu time ? frente na metade da segunda etapa. “Estamos brincando com o perigo. Jogamos duas em casa, não vencemos. Estamos nos colocando em um risco que pode não dar mais para sair”, bufou Sóbis, se referindo ? possibilidade de queda ? Série B.

“Mesmo com um a menos, tivemos sabedoria. Graças a Deus consegui fazer o gol (da vitória)”, comemorou William Henrique, que entrou no segundo tempo para fazer um gol de oportunismo e colocação. Com 47 pontos e na sexta posição, os baianos continuam a sonhar em entrar no G4 e beliscar uma vaga na Libertadores do ano que vem.

Tudo parecia caminhar para um triunfo tricolor com 13 minutos de jogo. O zagueiro Kadu deu entrada violenta em Diguinho. Suas travas abriram um rasgo na canela do tricolor, que precisaria deixar o campo minutos mais tarde.

O fraco e hesitante árbitro Fabricio Neves Correa tomou uma decisão polêmica. Após marcar a falta, puxou o cartão amarelo. Ao ver o volante deixar o campo com a perna sangrando, mostrou o vermelho para o defensor.

Mas o Vitória tem o ousado técnico Ney Franco no banco. Ele sacou seu volante mais marcador, recompôs a zaga com Luiz Gustavo e preservou seus homens de ataque. Imediatamente a decisão rendeu frutos. Um estouro da defesa, Dinei desviou de cabeça e Marquinhos entrou livre para abrir o marcador, aos 23.

Mas a supremacia numérica parecia que determinaria a reação tricolor. Quatro minutos depois, Biro Biro deixou Juan na saudade e cruzou. Ayrton tocou contra as próprias redes. A arbitragem anotou erradamente gol para o atacante da casa.

Quando Rafael Sóbis virou aos 12 do segundo tempo, em assistência de Biro Biro, havia poucas dúvidas de que a vitória do Fluminense estava muito bem encaminhada. Mas Ney Franco já havia ousado mais uma vez. Sacou um meia, lançou um atacante de velocidade – Renato Cajá fora, para entrada de William Henrique. O Vitória se soltou, assustou, empatou e virou. Tudo no espaço de sete minutos.

Marquinhos chutou mais uma vez, Diego Cavalieri espalmou e o lateral Juan apareceu na pequena área para complementar. Com o Fluminense atordoado, ainda tentando entender o que havia acontecido, Escudero fez ótima jogada para iniciar o contra-ataque, Juan cruzou, Marquinhos chutou e a bola encontrou mansamente o pé de William Henrique: 3 a 2.

Tomados pelo desespero, os tricolores se lançaram ? frente sem estratégia ou tranquilidade. Pressionaram, mas sempre encontrando a resistência consciente dos adversários. Rafinha quase empatou nos minutos finais, na base do abafa, mas Wilson fez sua melhor defesa do jogo e garantiu um triunfo que mantém o Vitória na briga pela Libertadores.

FICHA TÉCNICA

FLUMINENSE 2 x 3 VITÓRIA

FLUMINENSE – Diego Cavalieri; Bruno, Gum (Felipe), Leandro Euzébio e Igor Julião (Ronan); Edinho, Diguinho (Marcos Júnior), Jean e Rafinha; Biro Biro e Rafael Sóbis. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

VITÓRIA – Wilson; Ayrton, Victor Ramos, Kadu e Juan; Michel (Luiz Gustavo), Cáceres, Escudero e Renato Cajá (William Henrique); Marquinhos e Dinei (Euller). Técnico: Ney Franco.

GOLS – Marquinhos, aos 23, e Biro Biro, aos 26 minutos do primeiro tempo; Rafael Sóbis, aos 12, Juan, aos 16, e William Henrique, aos 19 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS – Gum e Rafinha (Fluminense); Victor Ramos e Renato Cajá (Vitória).

CARTÃO VERMELHO – Kadu (Vitória).

ÁRBITRO – Fabrício Neves Correa (RS).

RENDA E PÚBLICO – Não disponíveis.

LOCAL – Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ).

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