Sarney compra briga inédita com juízes maranhenses

Em processo de desgaste político, o senador José Sarney
(PMDB-AP) comprou uma briga inédita com juízes maranhenses. No domingo,
13, Sarney escreveu no jornal da família, O Estado do Maranhão,
que as Varas de Execução Penal de São Luís eram culpadas pela rebelião
de detentos e a chacina de nove presos, no dia 9, no Complexo
Penitenciário de Pedrinhas. Momentos depois, o juiz Gervásio Santos, da
Associação dos Magistrados do Maranhão (Amma), publicou no Facebook que a
gestão da governadora Roseana Sarney (PMDB), filha do senador, não
cumpria pedidos de investimentos em presídios.

Na Coluna do Sarney, editada aos domingos pelo jornal, o
senador escreveu que uma portaria das Varas de Execução Penal de São
Luís, de agosto, estabelecia que presos de diferentes regimes de penas e
integrantes de facções criminosas rivais fossem mantidos nas mesmas
celas. A portaria, no entanto, ressaltava, na verdade, que o governo
estadual descumpria a Lei de Execução Penal em manter os presos juntos.

Nesta terça-feira, 15, em entrevista ao jornal O Globo, Sarney
reconheceu o erro e pediu desculpas. “Ele estava mal-informado”,
afirmou Santos. “Houve uma tentativa de responsabilizar o Judiciário
pelo que ocorreu, mas nós estamos aqui há muito tempo alertando para o
problema da superlotação.” A polícia ainda investiga a origem dos
disparos que mataram os nove detentos. A principal linha de investigação
aponta que eles foram vítimas de colegas presos. A polícia também apura
uma possível participação de agentes penitenciários na chacina. Após a
rebelião no presídio, agentes encontraram nas celas quatro armas de fogo
e 400 celulares.

O presidente da Amma observa que antes da rebelião 3.200 detentos se
acotovelavam no presídio da capital maranhense. A superlotação no
sistema penitenciário de São Luís pode ser explicada, segundo ele, pela
falta de investimento na construção de cadeias no interior. A associação
teme que novas rebeliões ocorram nas unidades de adolescentes
infratores, onde o número de menores nas celas supera a capacidade do
sistema.

As relações próximas da família Sarney com alguns juízes e a presença
de membros o clã no Poder Judiciário costumam ser citadas como exemplos
de controle do grupo. Por isso, o ataque do senador no domingo aos
juízes causou surpresa. O presidente da Amma avalia que a “imagem
vendida” dos juízes maranhenses não corresponde ? realidade. “Não se
pode generalizar”, avalia Santos. “Isso (influência) não é uma
realidade.”

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