Agressões a jornalistas cresceram 166% nos últimos 12 meses

O número de agressões a jornalistas e de vandalismo a veículos
pertencentes a empresas de comunicação mais do que dobrou nos últimos 12
meses no Brasil. Desde outubro do ano passado, foram registradas 136
violações contra a imprensa, contra 51 casos entre outubro de 2011 e
outubro de 2012, com crescimento de aproximadamente 166,6%. Os dados
fazem parte do Relatório para a Liberdade de Imprensa 2012-2013, lançado
pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert)
durante a 43ª Assembleia Geral da Associação Internacional de
Radiodifusão (AIR), que começou ontem (14) e prossegue até amanhã, no
Rio de Janeiro. O documento informa ainda que, nos últimos 12 meses,
cinco jornalistas foram assassinados no país.

O presidente da Abert, Daniel Slaviero, ressaltou que os casos de
agressão a jornalistas se acentuaram desde a eclosão dos protestos no
país e vieram tanto dos manifestantes quanto da polícia. ?O aumento
exponencial está atrelado aos protestos que começaram a partir de junho.
As agressões vieram de ambos os lados. De uma minoria que se misturou a
uma multidão pacífica que estava protestando e começou a depredar bens
públicos e privados e atingir os veículos e profissionais de imprensa.
Mas também veio da repressão policial, o que nos obriga a uma reflexão
sobre o Estado como garantidor de uma das principais liberdades e um dos
pilares da democracia brasileira.?

O jornalista considerou que os números indicam retrocesso na liberdade
de imprensa no país. ?No ano passado, foram 51 violações, entre
agressões, intimidações e atos de vandalismo. Este ano, foram 136, sendo
que quase 90 ocorreram de junho para cá. Só no dia 7 de setembro, foram
mais de 20 notificações no Brasil inteiro, de agressões contra
profissionais e veículos de comunicação. Mais do que dobrou o número de
violações. Isto mostra que 2013 será marcado pelo regresso da liberdade
de expressão em nosso país?, declarou Slaviero.

Para o presidente da Abert, o relatório mostra que é preciso manter a
vigilância e a defesa da liberdade de expressão, mesmo em tempos
democráticos. ?Temos dois fatos importantes no relatório. Primeiro, o
crescimento explosivo das violações contra jornalistas e empresas de
comunicação, seja por agressões, intimidações ou atos de vandalismo
contra veículos e infraestrutura dessas emissoras. E, segundo, isso
mostra que, no ano em que completamos 25 anos da Constituição, a
liberdade de expressão ainda é um bem em consolidação em nosso país. Na
medida em que o trabalho da imprensa tem sofrido restrições e ela deixa
de informar ? população, quem mais perde é a sociedade brasileira”. A
íntegra do relatório pode ser acessada na página da Abert.

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