Toinho Carolino presta homenagem a Mestre Didi

O vereador Toinho Carolino (PTN) apresentou na Câmara Municipal projeto de lei que prevê colocar o nome de Mestre Didi em um logradouro público de Salvador. “Mestre Didi era uma pessoa representativa da cultura negra de nossa sociedade, artista plástico, escritor, líder religioso, que nos deixou, vítima de um câncer, mas que sua história e seu legado permanecem em nossos corações”, afirmou Carolino.

Mestre Didi, ou Deoscoredes Maximiliano dos Santos, morreu domingo (6), aos 95 anos de idade, em Salvador. Sua trajetória e obra são consideradas recriações da herança africana no Brasil. O corpo do artista, nascido em 2 de dezembro de 1917, foi sepultado no Cemitério Jardim da Saudade, na capital baiana.

Alapini

Além de artista plástico, Mestre Didi também era conhecido por liderar a comunidade espiritual nagô. Ele era filho de Maria Bibiana do Espírito Santo, a Mãe Senhora, uma das principais ialorixás do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá. Eugênia Ana dos Santos, a Mãe Aninha, tratada por Didi como avó, foi quem o iniciou no culto aos Orixás e lhe deu o título de Assogba, Supremo Sacerdote do Culto de Obaluaiyê.

Mais tarde Mestre Didi recebeu o título de Alapini, o mais alto do Culto aos Egungun, no Ilê Agboula e, em 1980, fundou o Ilê Asipá, onde é cultuado o Baba Olukotun e demais Eguns desta tradição antiga. Em setembro de 1970, não tendo no Brasil quem pudesse fazer sua confirmação de Balé Xangô, foi para Oyo e realizou a obrigação na cidade originária do culto a Xangô. A cerimônia foi realizada pelo Balé S? ngó e o Otun Balé do reino de Xangô de Oyo.

Ele chegou a expor em Gana, Senegal, Inglaterra e França, além do Guggenheim, em Nova York. No Brasil, ganhou reconhecimento após a 23ª Bienal de São Paulo, em 1996, quando recebeu uma sala apenas para suas obras. Mestre Didi criou esculturas focadas na representação de deuses e orixás do candomblé e, com sua obra sacra singular, ganhou expressão internacional. Ele é considerado um dos principais artistas brasileiros que se utilizava da estética e de elementos da cultura afro-brasileira.

Pela Unesco, realizou pesquisas comparativas entre Brasil e África e, em 1980, fundou a Sociedade Cultural e Religiosa Ilê Asipá, do culto aos ancestrais Egun, em Salvador. Quanto ao seu sacerdócio, frisa Toinho Carolino, ?podemos dizer que deu início seguindo as tradições do povo negro, que escolheu a Igreja Católica para dar os primeiros passos, como ocorria comumente com a comunidade negra?.

Mestre Didi foi batizado, fez primeira comunhão e foi coroinha. ?Mais tarde, já sacerdote da tradição afro-brasileira, foi se dedicando inteiramente a ela e afastando-se do catolicismo, embora o respeitando como outra religião”, lembra Carolino em seu projeto.

Algumas obras de Mestre Didi que ficarão para sempre registradas, enumera o vereador: Yorubá tal Qual se Fala, Tipografia Moderna, Bahia, 1950; Contos Negros da Bahia, (Brasil) Edições GRD, Rio de Janeiro, 1961; História de Um Terreiro Nagô, 1ª edição, Instituto Brasileiro de Estudos Afro-Asiáticos, 1962, e 2ª edição, Editora Max Limonad, 1988; Xangô, el guerrero conquistador y otros cuentos de Bahia, SD. Ediciones Silva Diaz, Buenos Aires, Argentina, 1987; e Contes noirs de Bahia, tradução francesa de Lyne Stone, Ed. Karthale, 1987.

Durante o sepultamento, integrantes de terreiros de candomblé de Salvador e região metropolitana prestaram homenagens. Muitos amigos presentes eram do Terreiro Ilê Asipá, fundado em 1980 pelo próprio Mestre Didi. “Pela importância de Mestre Didi para a religião de matriz africana, para as artes e as letras é que acho importante eternizarmos seu nome, emprestando-o a um logradouro público de nossa capital”, concluiu o vereador.

Compartilhe