Dilma critica falta de humanidade no atendimento médico

A presidente Dilma Rousseff defendeu nesta quarta-feira, 02, que o
programa Mais Médicos, além de levar profissionais para áreas carentes,
trará atendimento mais humano. Em entrevista a duas rádios do Rio Grande
do Norte, onde esteve para a formatura de jovens do Programa Nacional
do Ensino Técnico (Pronatec), Dilma criticou a “falta de humanidade no
trato com as pessoas”.

“As pessoas se queixam de duas coisas: de ter um atendimento que ela
vai ter de agendar e vai demorar muito porque não tem um médico lá no
posto de saúde, e de outra coisa: que esse atendimento seja humano”,
disse, explicando que o governo fez um diagnóstico do atendimento antes
de criar o Mais Médicos. “Uma das pessoas me disse: “o médico não me
toca”. Ela queria que o médico tocasse. Pelo menos meu médico sempre me
apalpou, olhou coração, olhou garganta, essas coisas todas.”

Dilma foi indagada sobre os problemas de infraestrutura na área da
saúde e afirmou que o governo está investindo em reforma e na ampliação
de postos de saúde, além da construção de novos e da integração com as
redes de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
“A melhoria dos existentes é fundamental. Agora, nada disso adianta se
você não tiver médicos. O médico é um elemento essencial do processo.
Aliás, cá entre nós, você começa olhando serviço. Aí você pensa: quem é
que faz o serviço? É a pessoa. Então, o médico é um elemento
fundamental.” 

Dilma destacou que faltam médicos nas fronteiras e nas periferias das
grandes cidades e o programa pretende levar profissionais a essas
regiões. Extremamente criticada pelas associações médicas pela criação
do programa, Dilma afirmou que respeita muito os médicos brasileiros,
“porque eles têm toda uma trajetória”, mas que a falta de profissionais é
realidade. 

No Congresso

Em Brasília, as entidades médicas voltaram a criticar o programa, em
audiência pública no Congresso. Na Comissão de Direitos Humanos e
Minorias da Câmara, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM),
Roberto Luiz d’Ávila, disse que “existem indícios de violação de
direitos humanos na contratação de médicos cubanos”. O programa ainda
deve passar pelos plenários de Câmara e Senado.

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