Joaquim Barbosa pede que mulher de repórter deixe cargo no STF

O ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal
(STF), encaminhou ofício ao vice-presidente da Corte, Ricardo
Lewandowski, solicitando que este reconsiderasse a decisão de manter em
seu gabinete uma servidora que atua no tribunal desde 2000.

Funcionária efetiva do Tribunal de Justiça (TJ) do Distrito Federal
cedida ao STF, Adriana Leineker Costa é mulher do jornalista Felipe
Recondo, repórter do jornal Estado de S. Paulo, que cobre o poder
Judiciário. No documento, Barbosa afirma que a manutenção de Adriana
seria “antiética” pela relação dela com o jornalista.

Por meio de sua assessoria, Lewandowski afirmou não ter registrado ao
longo dos anos de atuação da servidora nenhum episódio relativo a sua
relação com o jornalista que tenha interferido no trabalho. Disse que
vai manter a servidora em seu gabinete e que não vê motivo justificável
para o ofício do presidente da Corte. As informações foram publicadas no
jornal Estado de S. Paulo. 

O nome do repórter não é citado no ofício, que se refere apenas a
“jornalista-setorista de um grande veículo de comunicação”. O documento
sustenta ainda que a permanência da funcionária poderia “gerar
desequilíbrio” na relação entre jornalistas que cobrem a Corte.

Barbosa chamou Recondo em março deste ano de “palhaço” e o mandou
“chafurdar no lixo” durante uma entrevista. Na ocasião, o presidente
pediu desculpas pelo episódio e o atribuiu ao cansaço e a fortes dores
na coluna após uma sessão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Formada em Direito, Adriana foi cedida em 2011 para trabalhar no STF. A
cessão vence neste ano e um ofício do vice-presidente ao TJ-DF pedindo a
renovação motivou a reação de Barbosa. Ela atuou no gabinete de Carlos
Velloso até 2006, quando este se aposentou, passando, então, a trabalhar
com Lewandowski.

Compartilhe