Papa começa a mudar chefia da Igreja e prepara canonização de João Paulo 2º

Após seu primeiro meio ano no mandato, o papa Francisco realizou suas primeiras mudanças na Cúria romana, o “governo do Vaticano”, indicou no sábado (21) a Santa Sé. As mudanças devem desagradar tanto conservadores quanto liberais.

Na dança das cadeiras, foi removido da Congregação para o Clero o cardeal ultraconservador Mauro Piacenza e promovido Beniamino Stella, que até agora era o responsável pela chamada “Escola de Núncios”. Stella terá entre suas tarefas a de reverter a escassez de padres na maioria dos países ricos e a de lidar com a pressão pelo fim do celibato.

Piacenza foi nomeado Penitenciário-Mor – o responsável por um tribunal eclesiástico que lida com confissões de pecados cuja absolvição pode ser dada apenas pelo Papa.

Francisco manteve o arcebispo conservador alemão Gerhard Mueller como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Indicado por Bento 16, ele dirige as ações da Santa Sé contra freiras liberais dos Estados Unidos. Mueller também é o responsável pela política da Igreja em resposta a casos de abuso sexual – seu mandato foi visto pelos críticos como condescendente com os padres acusados.

Lorenzo Baldisseri, até agora Prefeito da Congregação para os Bispos e que foi secretário do último conclave, foi nomeado para liderar o Sínodo dos Bispos. Ele substitui o croata Nikola Eterovic, designado Núncio Apostólico na Alemanha. Ao trocar o responsável pelos sínodos, as reuniões ocasionais onde bispos discutem questões de orientação ou regionais, Francisco tem a oportunidade da aplicar sua visão do papel dos bispos no processo de decisão da Igreja.

Estas são as primeiras mudanças do papa Francisco na Cúria romana após a nomeação, há algumas semanas, de Pietro Parolin como número dois do Vaticano.

No dia 31 de agosto, Parolin foi eleito pelo Papa argentino para ser seu secretário de Estado, o equivalente ao cargo de Primeiro-Ministro, substituindo o polêmico Tarcisio Bertone.

Estes anúncios são feitos dias antes do encontro, no início de outubro, do papa Francisco com oito cardeais, que irão refletir junto ao pontífice sobre a reforma no seio da Igreja.

Entre os temas de reflexão estarão os problemas vividos pelas famílias católicas, em particular a situação dos divorciados que voltam a se casar.

Nesta reunião com os cardeais que nomeou como conselheiros, marcada para 1 a 3 de outubro, o Papa também tratará das reformas da Cúria e do Banco do Vaticano.  

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