Kimi Raikkonen é o substituto de Felipe Massa na Ferrari

Onde há fumaça, há fogo. O velho ditado mostrou-se eficiente na dança de cockpits da Fórmula 1. A boataria ganhou muita força no último final de semana, em Monza. E um dia após Felipe Massa anunciar que não seguirá na equipe, a Ferrari divulgou que o finlandês Kimi Raikkonen será companheiro de equipe de Fernando Alonso na próxima temporada da F1. O campeão de 2007 ficará na escuderia do cavalinho empinado por duas temporadas.

A mudança de Kimi não é exatamente uma melhora substancial. Afinal, a Ferrari não está muitos quilômetros ? frente da Lotus quando o assunto é rendimento de seus carros; pelo menos no que tem se visto nesta temporada. O time de Enstone já mostrou que é vencedor. Porém, só com Raikkonen. Sem o talento do finlandês, será que a Lotus continua brigando por vitórias na Fórmula 1?

A grande vantagem para Kimi nesta troca de escuderia é o aporte técnico e financeiro que está por trás da Ferrari. Mesmo com um carro que não tenha nascido vencedor, o pessoal de Maranello tem competência e recursos para evoluir seu equipamento durante um mundial. E isso é muito tímido na Lotus.

Esta será a melhor dupla de pilotos no mundial de 2014. Com Raikkonen e Alonso, a Ferrari é favorita ao título de construtores caso, é claro, o modelo do ano que vem seja competitivo. Porém, a promessa de constantes alegrias para os tifosi pode não vingar. Pilotos do quilate de Alonso e Raikkonen podem entrar em conflito de egos, provocar brigas internas e transformar o boxe da Ferrari em um barril de pólvora.

A notícia da contratação de Kimi tem efeito de uma bomba para o espanhol. Acostumado a reinar absoluto nas equipes que trabalhou – e em Maranello não foi diferente! -, Alonso terá um novo cenário para encarar em 2014. O espanhol terá uma pressão enorme pela frente. Atualmente, os melhores resultados da Ferrari são, na maioria das vezes, dele; no próximo ano, não será assim. A vida dentro da Ferrari não será tão fácil para o piloto das Astúrias como tem sido nos últimos quatro anos.

O bicampeão dividirá os boxes vermelhos com um piloto tão rápido quanto ele, mas que tem um carisma maior e que já foi campeão com o macacão vermelho; feito que o espanhol (ainda) não conseguiu em seus quatro anos de Ferrari. Por tudo isso, acredito que a egotrip de Alonso está com os dias contados. Ou não.

Fernando Alonso sempre exigiu atenção total de sua equipe. Foi assim na Renault e na Ferrari. Não houve tempo para isso na Minardi porque era seu ano de estreia; na McLaren, promoveu uma briga histórica com Lewis Hamilton em 2007.

Não sei como estará o ambiente na Ferrari no final da temporada de 2014. Se houver uma disputa acirrada, com os dois pilotos lutando pelo título, não enxergo Alonso na Ferrari em 2015. É sabido que seu contrato tem vigência até o final do mundial de 2016, mas na Fórmula 1 todos sabem que nem sempre os contratos são cumpridos. Basta olhar pelo retrovisor e ver que a então promissora parceria entre Alonso e McLaren não dourou mais do que um ano.

A verdade é que formar uma dupla com Kimi e Fernando é uma ousadia que há anos não se via na Ferrari. O que se espera, a partir de agora, é uma briga por vitórias, e não por egos.

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