Felipe Massa dá adeus ? Ferrari

Felipe Massa não esperou qualquer anúncio da Ferrari para definir seu
futuro. Via Instagram, o piloto brasileiro afirmou que não estará com o
tradicional macacão vermelho no próximo mundial. As portas de
Maranello, agora, estão escancaradas para Kimi Raikkonen.

Foi na Ferrari que Felipe Massa alcançou suas maiores conquistas.
Todas as suas 11 vitórias e 15 poles na Fórmula 1, além do
vice-campeonato de 2008, foram conquistados no cockpit da tradicional
escuderia italiana.

A parceria entre os italianos da Ferrari e pilotos brasileiros é
longa. Desde 4 de setembro de 1999, data em que a escuderia de Maranello
anunciou Rubens Barrichello como companheiro de Michael Schumacher para
a temporada de 2000, a bandeira brasileira sempre esteve estampada no
cockpit da Ferrari nas corridas de abertura dos mundiais desde aquele
ano.

Com Rubinho, a relação durou até o final da temporada de 2005. Em 30
de julho daquele ano, o brasileiro, que hoje compete na Stock Car,
acertou sua transferência para a extinta equipe Honda após seis anos de
Ferrari.

Felipe Massa, que dividia seu tempo entre GPs pela Sauber e piloto de
testes da Ferrari, foi escolhido para ser titular do time de Maranello
no mundial seguinte.

Em todos estes 14 anos, criou-se uma relação de amor e ódio entre a
torcida brasileira e os famosos carros venerados pelos tifosi. As 20
vitórias (nove de Rubinho e onze de Felipe) e os três vice-campeonatos
(2002 e 2004 com Barrichello e 2008 com Massa) entram em conflito com as
ordens de equipe, principalmente ? quelas que prejudicaram a dupla
brasileira ao longo dos anos, como nos GPs da Áustria de 2001 e 2002 e
da Alemanha em 2010. A bipolaridade sentimental tomou conta da torcida
brasileira.

O Grande Prêmio do Brasil deste ano marcará o fim de um ciclo. Felipe
Massa fará sua última corrida pela Ferrari. O vice-campeão de 2008
defendeu o carro vermelho em oito mundiais, tornando-se o segundo piloto
com o maior número de GPs disputados na história da Ferrari. Até a
corrida em Monza, Massa disputou 132 GPs pelo time de Maranello. O
brasileiro só perde para Schumacher, que competiu em 180 corridas pela
escuderia italiana.

Desde o anúncio de Barrichello na Ferrari, e sua estreia no Grande
Prêmio da Austrália de 2000, foram 236 corridas disputadas pela Ferrari
com um piloto brasileiro. Até o final desta temporada, provavelmente
chegará a 243.

Não fosse o grave acidente de Felipe Massa em Hungaroring, este
número poderia ser maior. Em 2009, depois do acidente do brasileiro, o
time vermelho contou com substitutos italianos Luca Badoer e Giancarlo
Fisichella nas últimas sete corridas.

Mas pouca gente lembra que a relação da escuderia Ferrari com pilotos
brasileiros da Fórmula 1 começou antes de Barrichello competir de
macacão com o emblema do cavalinho.

Com a credencial de campeão da F-3000 de 1988, Roberto Moreno foi
piloto de testes da escuderia de Maranello naquele mesmo ano. Na época, o
brasileiro ajudou a desenvolver o câmbio semi-automático, que
revolucionou os carros da categoria. A estreia da revolução, que foi no
GP do Brasil de 1989, não poderia ter sido melhor: vitória de Nigel
Mansell no extinto autódromo de Jacarepaguá.

Mais de uma década depois, outro brasileiro passou a frequentar a
equipe em Maranello. Luciano Burti, que hoje compete na Stock Car, foi
piloto de testes da Ferrari de 2002 a 2004. Neste último ano que marcou o
heptacampeonato de Schumacher na F1, a Ferrari trocou Burti por Massa.
Depois, a história já é conhecida.

Parafraseando o eterno Carlos Drummond de Andrade, deixo a pergunta: a festa acabou, a luz apagou… E agora, Felipe?

Com os anúncios de Ricciardo na Red Bull e de Raikkonen na Ferrari, o
cockpit mais cobiçado passa a ser o da Lotus. A concorrência será
acirrada para sentar no carro negro, vermelho e dourado. Após assombrar
Felipe na Ferrari, o alemão Nico Hulkenberg será um dos grandes rivais
do brasileiro para ocupar o lugar que hoje pertence a Kimi.

O outro (e provável) caminho para Felipe seria uma volta a Sauber,
equipe que lhe deu a primeira oportunidade na Fórmula 1. Os estreitos
laços de amizade das equipes Ferrari e Sauber podem facilitar o retorno
do brasileiro, que até hoje só competiu com motor Ferrari na F1.

Esta segunda opção seria uma ducha de água fria na torcida verde e
amarela. Após 14 temporadas com piloto brasileiro em um carro de ponta,
Felipe Massa na Sauber não será algo que seduza o público em geral.

Outra opção, e que não deve ser descartada, é a precoce aposentadoria
de Massa. Caso isso realmente aconteça, e sem a garantia da entrada de
Felipe Nasr – hoje, em quarto na classificação da GP2 – em cockpit
titular da Fórmula 1, começo a temer pelo futuro de Interlagos no
calendário da F1.

Sei que a maioria dos países que hoje integram o calendário da
Fórmula 1 não tem representantes no grid. Mas a tradição de sempre haver
um piloto brasileiro no GP do Brasil pode pesar e a ausência de um
competidor brasuca pode afastar o interesse pela categoria por aqui.

Se Felipe Massa se despedir da Fórmula 1, a temporada de 2014 será a
primeira desde 1970 que não haverá um piloto brasileiro em pelo menos um
grid da categoria. Neste tempo, passaram pela categoria os brasileiros
Emerson Fittipaldi (1970 a 1980), José Carlos Pace (1972 a 1977), Wilson
Fittipaldi (1972 a 1973 e 1975), Alex Dias Ribeiro (1976 a 1977 e
1979), Ingo Hoffmann (1976 a 1977), Nelson Piquet (1978 a 1991), Chico
Serra (1981 a 1983), Raul Boesel (1982 a 1983), Roberto Moreno (1982 e
1987 e 1989 a 1992), Ayrton Senna (1984 a 1994), Maurício Gugelmin (1988
a 1992), Christian Fittipaldi (1992 a 1994), Rubens Barrichello (1993 a
2011), Pedro Paulo Diniz (1995 a 2000), Ricardo Rosset (1996 a 1998),
Tarso Marques (1996 a 2001), Ricardo Zonta (1999 a 2001 e 2004 a 2005),
Luciano Burti (2000 a 2001), Felipe Massa (2002 e 2004 a 2013),
Cristiano da Matta (2003 a 2004), Antonio Pizzonia (2003 a 2005) e
Nelsinho Piquet (2008 a 2009).

Felipe Massa tem talento para achar um cockpit para a temporada de
2014 da Fórmula 1. Acredito que Felipe ainda tem lenha para queimar na
F1. Mas há quem discorde.

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