Senado instala CPI sem a presença da oposição

Sem a presença da oposição mais ferrenha ao governo federal, a CPI da
Espionagem foi instalada hoje para apurar as denúncias de interceptação
de dados de brasileiros pelos EUA.
Os senadores escolheram hoje a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
como presidente e o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) como relator da
comissão parlamentar de inquérito.

“Nosso objetivo não é luta política, mas garantir a máxima proteção ao
Estado brasileiro”, afirmou Vanessa, defendendo expandir o conhecimento
sobre o que foi acessado pelos EUA e investigar como a espionagem é
operacionalizada, em especial se contou com a participação de empresas
brasileiras.
Palanque

Tradicionais oposicionistas ao governo nas comissões parlamentares de
inquérito, os tucanos cederam sua vaga para o senador Pedro Taques
(PDT-MT), que apesar de ser de um partido aliado faz parte do grupo dos
independentes da Casa. Taques foi escolhido vice-presidente da comissão.

Os tucanos acreditam que a CPI será usada pela base de apoio ao governo
para dar palanque para Dilma Rousseff, colocando-a como vítima da
espionagem norte-americana.

“Acho uma bobagem essa comissão. Não vai levar a lugar nenhum”, disse o
senador Álvaro Dias (PSDB-PR), oposicionista veterano em CPIs.
A CPI só foi instalada hoje, com a escolha do presidente e relator,
apesar de ter sido criada em 11 de julho, em meio ? maratona de votações
do Senado que, ? época, montou uma pauta para tentar responder as
demandas da onda de protestos do mês anterior.

As denúncias recentes de que a presidente Dilma Rousseff foi alvo do
monitoramento dos EUA fez com que os senadores tirassem a CPI do papel.
Depois das revelações, o Brasil solicitou explicações por escrito aos
norte-americanos e ameaça cancelar encontro bilateral com Barack Obama
marcado para outubro.

“Existe uma questão política e empresarial, uma vez que dados
comerciais podem ter sido acessados. Existiram falhas no serviço de
contra-inteligência do Brasil? Isso deve ser apurado”, afirmou o relator
Ferraço, que chamou Obama de “camarada”.

O ponto de partida da CPI serão os documentos revelados por Edward
Snowden, ex-técnico da NSA (Agência Nacional de Segurança dos EUA), e
divulgados pelo jornalista Glenn Greenwald.

Os papeis mais recentes, divulgados pelo Fantástico da TV Globo,
mostram uma apresentação na qual a técnica de monitoramento que pode ter
sido usada contra Dilma e assessores chave é detalhada. Segundo o
documento, o objetivo específico dos EUA era entender métodos de
comunicação e identificar interlocutores associados ? presidente Dilma e
aos seus principais auxiliares.

Segundo o Senado, a comissão terá 11 integrantes titulares e sete
suplentes, além de orçamento de até R$ 280 mil para gastos como passagem
e hospedagem de convidados. No entanto há apenas oito titulares e cinco suplentes formalmente indicados até agora.
Proteção policial  

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