Prestes a deixar cargo, Gurgel pede união do Ministério Público

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, conclamou os
integrantes do Ministério Público a se unirem e deixarem as divergências
de lado. Faltando quatro dias para deixar o cargo, ele disse que a
medida é necessária para fortalecer a instituição, que ?já tem muitos
adversários externos?.

?É preciso que vejamos que esses adversários externos estão
presentes, como nos recentes episódios no Legislativo, e eles são
bastantes, são suficientes?, disse, durante posse de novos integrantes
do Conselho Nacional do Ministério Público nesta tarde. ?Falta aos seus
mais elevados deveres todo aquele que, de alguma forma, contribui para a
divisão e desunião do Ministério Público brasileiro?.

Gurgel deixa o cargo após quatro anos de mandato, mas a presidenta
Dilma Rousseff ainda não escolheu seu substituto. A lista com os três
integrantes mais votados pela carreira foi entregue em abril. Embora a
presidenta não seja obrigada a escolher um dos nomes, essa solução vem
sendo adotada desde o primeiro governo Lula.

Segundo o procurador-geral, os profissionais precisam evitar a
divisão interna para trabalhar pela correção dos rumos do Ministério
Público e pela garantia da autonomia da categoria.  ?Devemos de uma vez
por todas superar nossas divergências, equacioná-las da melhor forma
possível, mas acima de tudo valorizar os pontos de convergência?, disse.

A saída de Gurgel coincide com o início do julgamento dos recursos
da Ação Penal 470, o processo do mensalão. A posição de procurador-geral
interino será ocupada pelo futuro vice-presidente do Conselho Superior
do Ministério Público Federal, que será eleito amanhã, ? s 18h. São
cotados para o cargo os subprocuradores-gerais Raquel Dodge e Eitel
Santiago.

Gurgel voltou a criticar a demora na indicação de seu substituto.
?Não é razoável que estejamos caminhando mais uma vez para a
interinidade, que é indesejável, porque há sempre muitos assuntos de
relevância submetidos ? PGR e seria fundamental já ter o titular do
cargo. [Ter um procurador-geral interino], não só em relação ? Ação
Penal 470, mas ao Ministério Público como um todo, traz prejuízo
significativo?, disse, após o evento desta tarde.

Compartilhe