Música ‘Bará Berê’ é alvo de ação milionária e Michel Teló é réu

Os cantores Thiago Rodrigues Monteiro e Luis Augusto Ferreira, que até
2012 formavam a dupla sertaneja Bruno Camacho e Cuiabano, pedem na
Justiça uma indenização milionária por supostamente serem os autores da
música “Bará Berê”. O hit foi sucesso nas vozes de Cristiano Araújo e
Michel Teló durante todo o ano passado. Segundo informou ao G1 o
advogado da ex-dupla, Thiago Felipe de Oliveira, o valor da ação, que
ainda seria apurado caso o processo fosse favorável a eles, passaria de
R$ 2 milhões.

De acordo com Thiago, em novembro de 2011, Bruno Camacho e Cuiabano
foram convidados pela produção de Cristiano Araújo para conhecer o
estúdio do cantor, em Goiânia, e mostrar algumas composições. Dentre as
músicas, estaria “Bará Berê”. “Eles ficaram receosos de mostrar [a
canção] porque ela ainda não havia sido registrada”, explica o advogado.

Após a insistência de Raynner Ferreira Coimbra de Jesus, empresário de
Cristiano, os dois resolveram cantar e a música foi gravada no celular
de Raynner, que alegou não ter problemas, pois não tinha a intenção de
lançar a canção. “Eles confiaram, gravaram e foram embora. Cerca de três
semanas depois, indo para um ensaio, eles ouviram a música na rádio e
ficaram desesperados”, afirma.

A ação tramita na 9ª Vara Cível de Goiânia. Ao todo, oito pessoas e
instituições são citadas no processo. Além de Teló, Cristiano e Raynner,
são apresentados como réus o cantor e compositor Dogival Dantas, tido
como real autor da canção, e as empresas Talismã Administradora de Shows
Musicais LTDA, Efeitos Produções, Gravadora Som Livre LTDA e Apple
Computer do Brasil LTDA.

A assessoria de imprensa de Cristiano Araújo, que também responde por
Raynner, pela Talismã e pela Efeitos, disse ao G1, por telefone, que
antes da gravação da música foi realizado uma busca e o autor Dogival
Dantas foi devidamente identificado, autorizando todo o processo. “Dessa
forma, não há quaisquer irregularidades”. Ainda segundo a assessoria,
em momento oportuno, tanto o cantor quanto as empresas buscarão medidas
legais contra o que considerou “falsa denúncia” por parte de Bruno
Camacho e Cuiabano.

O G1 também tentou falar sobre o caso com a assessoria de Michel Teló,
mas ninguém atendeu aos telefonemas. O advogado do compositor Dogival
Dantas foi procurado, mas não foi encontrado. A gravadora Som Livre e a
Apple Computer não responderam até a publicação da reportagem.

Fim da dupla
No final de 2012, Bruno Camacho e Cuiabano desfizeram a dupla.
Atualmente, cada um segue carreira solo e se apresentam em bares de
Goiânia. “Depois disso, a dupla até tentou continuar, mas acabou
terminando. Se não fosse isso, estavam juntos até hoje”, acredita Yan
Parada, produtor dos cantores e que atualmente trabalha com Bruno
Camacho.

O advogado Thiago Felipe Oliveira diz que seus clientes querem ser
ressarcidos por toda a quantia que os réus do processo lucraram através
da música. “Se ganharmos a causa, o valor da indenização será apurado.
Ainda não temos uma quantia exata, mas os números giram entre R$ 2
milhões e R$ 5 milhões”, afirma.

Thiago garantiu ainda que tem como comprovar que a ex-dupla é realmente
autora da canção mesmo não tendo registrado-a. Segundo ele, estão
anexados ao processo itens como vídeos, clipes e discos que legitimariam
a criação.

Por enquanto, nenhuma audiência do processo aconteceu ou foi marcada.

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