Dilma afaga congressistas e promete ampliar diálogo com senadores

Com a ameaça de rebelião de seus aliados no Congresso, a presidente
Dilma Rousseff prometeu hoje ampliar o diálogo com os senadores para
discutir projetos de interesse do governo que tramitam na Câmara e no
Senado. Serão realizadas reuniões quinzenais no Palácio do Planalto com
os aliados em resposta ? principal queixa dos congressistas que apoiam o
governo Dilma: a falta de diálogo com o Planalto.

Nos dias em que Dilma não puder participar das reuniões, elas serão
conduzidas pelo vice-presidente Michel Temer ou pela ministra Ideli
Salvatti (Relações Institucionais).

O mal estar com a base aliada ganhou força durante o recesso
parlamentar, quando líderes governistas ameaçaram derrubar vetos da
presidente e votar projetos da “pauta bomba” que pode trazer prejuízos
financeiros aos cofres da União.

Um dos primeiros testes da presidente será a votação de vetos
presidenciais em sessão do Congresso, marcada para o dia 20 de agosto.
Antes da análise dos vetos, Dilma prometeu promover uma das reuniões com
os congressistas para discutir a votação.

“Eu questionei a presidente por que, quando chegam projetos no
Congresso sem serem debatidos com o governo, o que digo aos meus
liderados? Essas conversas podem reduzir os vetos presidenciais, que são
sempre constrangedores para a presidente”, disse o líder do PMDB,
Eunício Oliveira (CE).

Líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM) afirmou que a
presidente deu início a uma “fase ampliada” de interlocução com os seus
aliados, o que é positivo para o Planalto. “Vamos ter as reuniões para
discutir questões estratégicas do governo. Sempre vai estar presente,
além dos líderes, o presidente da comissão onde tramita a proposta em
discussão”, explicou Braga.

Em sinal de que os aliados podem atender ao apelo do Planalto, os
líderes do Senado decidiram hoje adiar a votação do projeto que institui
passe livre no transporte público. Como ainda não há identificação das
fontes de recursos para bancar a gratuidade, a proposta vai tramitar por
pelo menos duas comissões antes de seguir para o plenário: a de
Constituição e Justiça e a Comissão de Assuntos Econômicos.

O Planalto teme a aprovação da proposta sem a respectiva fonte de financiamentos, o que pode ampliar o déficit da União.  

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