Cidades inscritas pedem 15.460 profissionais ao governo

Balanço da primeira rodada de inscrições no programa Mais Médicos,
divulgado hoje pelo governo, identificou a demanda por 15.460 médicos em
3.511 cidades do país. Em contrapartida, 3.123 médicos finalizaram sua
inscrição até ontem.

O prazo para o término da inscrição (com o envio da documentação
completa) se encerraria na noite de ontem, mas foi ampliado pelo
Ministério da Saúde pelo grande volume de inscrições não finalizadas.
Assim, os médicos ainda podem ajustar o cadastro até a noite do próximo
domingo.

Os dados apresentados pelo ministro Alexandre Padilha (Saúde) mostram
que a prometida sabotagem ao programa pode ter, de fato, ocorrido. Nas
duas semanas em que o edital para inscrição no Mais Médicos ficou
aberto, mensagens difundidas nas redes sociais orientavam para que
médicos se inscrevessem em massa, mas não finalizassem a inscrição, como
forma de tumultuar o programa.

Entre as 15.460 inscrições, 8.307 apresentaram inconsistência no número
do CRM (Conselho Regional de Medicina) e precisam ser ajustadas até
este domingo, segundo Padilha. Nesses casos, o número do CRM não foi
informado, ou o número informado não bate com o nome do médico
registrado nos conselhos regionais.

Filtros contra a eventual sabotagem também encontraram 1.270 inscrições
de médicos que atualmente cursam uma residência médica. Até domingo,
esses candidatos deverão informar se pretendem deixar ou não a
residência médica. Segundo o próprio ministro, a expectativa é só que
uma minoria troque a residência pelo Mais Médicos.

Apesar da pequena proporção de inscrições finalizadas, o ministro da Saúde se empenhou em mostrar animação com o programa.

“Conseguimos, em 15 dias, uma adesão bastante importante. Mais de 3.500
municípios mostraram que faltam médicos na atenção básica e estão
acreditando nessa solução concreta que o governo federal busca
apresentar”, disse Padilha.
Essa foi a primeira rodada de inscrições. Em 15 de agosto, terá início uma nova rodada de seleções.

O programa foi lançado pela presidente Dilma Rousseff, via medida provisória, em 8 de julho.

O programa tem dois eixos centrais: pretende levar médicos brasileiros e
estrangeiros a cidades do interior e a periferias das grandes cidades; e
ampliar o curso de medicina, com dois anos extra de serviços prestados
no SUS.

Desde então, o Mais Médicos conquistou críticas de médicos, parlamentares e escolas de medicina.

Das 3.511 cidades inscritas, 1.449 são tidas como prioritárias pelo
governo (pelo maior grau de vulnerabilidade social). O número significa
que houve adesão ao programa de 92% das cidades prioritárias.

Estrangeiros

Segundo o balanço divulgado pela Saúde, 1.920 inscritos têm registros
de atividade médica em 61 países – podendo ser brasileiros ou
estrangeiros.
Segundo o ministério, a maior parte deles atua hoje em Portugal,
Espanha e Argentina. Também há profissionais que atuam em Cuba, mas a
pasta não detalhou quantos.

Compartilhe