AfroReggae encerra atividades no Complexo do Alemão

A organização não governamental (ONG) AfroReggae decidiu hoje (20)
encerrar as atividades no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, depois
de sofrer ameaças de traficantes. O anúncio foi feito menos de uma
semana depois do incêndio que destruiu a sede da ONG na comunidade. A
ação ocorreu terça-feira (16) e é investigada pela Polícia Civil.

O coordenador da organização, José Júnior, disse que foi informado
das ameaças por um líder comunitário, que passou a mensagem do tráfico
de drogas. A comunidade conta com uma Unidade de Polícia Pacificadora
(UPP). Na opinião de Júnior, se o grupo decidisse permanecer os
criminosos poderiam atacar a instituição com bombas, o que implicaria
também riscos para os funcionários ou usuários dos projetos do
AfroReggae.

?Recebemos ameaças de morte, disseram que ia matar a gente, pessoas
inocentes, iam [jogar] bomba?, revelou o coordenador. ?A gente não pode
colocar ninguém em risco, por isso, decidimos fechar as portas?,
completou. Segundo ele, depois do aviso do líder comunitário, moradores
do Alemão confirmaram as ameaças dos traficantes, o que deixou a
instituição sem saída.

O AfroReggae está há 12 anos no Alemão onde atendia a 350 jovens, com
aulas de percussão, grafite, música e teatro, um esforço para manter
jovens longe do tráfico de drogas e oferecer possibilidades de
capacitação profissional e valorização.

Para a organização, o pastor Marcos Pereira, preso por estuprar
fiéis, é um dos chefes do tráfico de drogas na favela e está por trás
das ameaças e ataques ao AfroReggae. ?Ele é um dos líderes do crime no
Rio?, disse Júnior.

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